Ontem assisti um filme de ficção científica do qual nunca havia ouvido falar e o achei bem interessante por ser diferente e ter uma bela fotografia. Estou falando de Mundos Opostos, filme de 2012, estrelado por Jim Sturgess e Kirsten Dunst, dirigido e roteirizado por Juan Solanas.


Título Original: Upside Down
Ano: 2012
Duração: 109 minutos
Gênero: Drama, ficção científica
Direção: Juan Diego Solanas
Roteiro: Juan Diego Solanas, Santiago Amigorena
Elenco: Agnieshka Wnorowska, Don Jordan, Elliott Larson, Heidi Hawkins, Holden Wong, James Kidnie, Jayne Heitmeyer, Jesse Sherman, Jim Sturgess, John Maclaren, Kirsten Dunst, Larry Day, Neil Napier, Nicholas Rose, Paul Burke, Paul Don, Vincent Messina
Produção: Alexis Vonarb, Aton Soumache, Claude Léger, Dimitri Rassam, Jonathan Vanger
Fotografia: Pierre Gill
Nacionalidade: Canadá / França

Sinopse: Adam (Jim Sturgess) e Eden (Kirsten Dunst) se apaixonam ainda na adolescência. Um amor impossível, separado pela gravidade. Eles vivem em planetas com forças gravitacionais opostas: ele no mundo inferior, pobre; ela no superior, explorador. São brutalmente afastados quando um patrulheiro interplanetário os flagra, provocando um acidente aparentemente fatal para Eden. Dez anos se passam e Adam é apenas mais um cara normal tentando levar a vida, ainda abalado pela perda da amada. Mas eis que Adam vê Eden na televisão e descobre que ela está trabalhando num prédio que conecta os dois planetas. Ele agora fará de tudo para, finalmente, reencontrar o amor de sua vida.

Dois planetas gêmeos vivem unidos de uma forma estranha pela gravidade. Vivendo com gravidades opostas, um de cabeça para baixo para o outro, o mundo de baixo é subdesenvolvido, vivendo em meio a uma grande pobreza e dificuldade social. O mundo de cima é rico e muito bem desenvolvido. Os habitantes destes mundos não podem ter nenhum contato entre si, sendo este totalmente proibido. A única coisa que os liga é a TransWorld, uma corporação que tem sua sede em um imenso prédio que une os dois mundos e é controlado pelo mundo de cima, também sendo o único contato entre eles. 


Contrariando qualquer regra Adam e Eden se conhecem ainda pequenos em um lugar remoto, um ponto alto de ambos os planetas, onde podem se ver e quase podem se tocar. Ainda jovens eles se apaixonam e descobrem uma maneira de conversarem e estarem próximos. Porém, um dia, uma grande reviravolta os separa, onde Eden acaba sofrendo um trágico acidente, e Adam pensa perder a mulher que tanto ama para sempre. 

Dez anos se passam, e Adam vive sem qualquer expectativa, à sombra de toda a dor que sente. Até o dia em que descobre que Eden não morreu e que trabalha na TransWorld. Angustiado, ele decide que precisa trabalhar neste imenso prédio, nesta corporação ambiciosa, para poder ter sua amada de volta. A proposta que o espectador recebe logo no inicio do filme pelo nosso locutor é: o amor pode superar as leis da gravidade?


A história de Mundos Opostos gira em torno deste amor, onde a ficção científica em si fica em segundo plano. O filme tem um roteiro complexo com o qual você pode se perder facilmente se não prestar atenção. O roteiro escrito por Juan Solanas traz uma história que pode confundir com seus muitos pontos, e tem muitos furos. Confesso que em alguns momentos minha mente deu um nó, e eu lutava para acreditar no que via em minha frente. É realmente inconcebível acreditar em dois mundos que vivam com uma gravidade tão diferente assim. 


Um dos pontos mais confusos do filme é justamente esta lei da gravidade, pois tudo o que nos parece certo muda totalmente neste filme. Eu fiquei realmente incomodada com alguns aspectos do filme que envolvem a ciência, ainda mais que na própria trama o roteiro desobedece o que o próprio filme nos mostra logo em seu inicio para poder desenvolver esta história com um drama em estilo shakespeariano


O roteiro infelizmente é fraco justamente por ser focado no romance. Eu realmente fiquei esperando algo a mais, esperando que uma grande reviravolta social fosse acontecer, mas entendi a proposta do diretor e tenho que ser franca ao dizer que o filme prendeu minha atenção sim, apesar de todos os furos. E sim, a partir do momento que entendi que este era um filme voltado para o drama e para o romance, me libertei de qualquer ideia preconcebida e aproveitei ao máximo o que a trama tinha a me proporcionar.


Mesmo a ficção científica não sendo o ponto central do filme, a exuberante fotografia pelas mãos de Pierre Gill e os efeitos especiais contribuem para compor um cenário digno do gênero (ficção científica), e são de tirar o fôlego. Me vi extasiada com os cenários amplos e abertos, com como foram eficientes em diferenciar bem as classes sociais dividindo os mundos em um iluminado e belo, e o outro decadente e sombrio, identificando assim a pobreza e riqueza que separam seus cidadães. Só por este ponto positivo, o filme já valeu a pena. Me vi tão extasiada com o que via ali, que esqueci de qualquer lógica.


Apesar do foco no romance de Adam Eden, o filme tem um forte apelo social. Toda a crítica social e cultural está ali implícita, como disse acima, principalmente pela corporação TransWorld que explora ao máxima seus funcionários tornando o mundo de cima ainda mais rico, e o mundo de baixo ainda mais subdesenvolvido, dependente e pobre. A crítica social ali mostra como o jugo de um poder dominante pode sobrepujar os menos favorecidos, oprimindo. 


Apesar do roteiro lento, cozinhando em banho maria, eu gostei do filme como um todo. Gostei principalmente do desfecho, que apesar de corrido, deixa ali suas respostas e nos mostra como o amor de Adam e Eden foi transformador não só para ambos, mas para as sociedades em que vivem. Mostrando que apesar de toda opressão, uma pequena centelha de esperança pode fazer toda a diferença.


Mundos Opostos é um filme interessante, mas não exatamente perfeito. Como disse o roteiro falha, e muito, e não agradará a todos. A história fica deixando a desejar, mas se você gosta de um romance shakespeariano, você pode assistir Mundos Opostos e se deliciar com um filme cheio de belos efeitos e uma fotografia de encher os olhos. Uma boa dica de filme para assistir sem pretensão, para passar o tempo com um balde cheio de pipoca =)

Trailer: