Antes Que Eu Vá
 Lauren Oliver
Tradução: Rita Sussekind
ISBN: 978-85-8057-059-5 
Preço:
39,90 
Lançamento:
2011-07-19
Páginas:
368
Editora: Intrínseca
Pontuação: ♥ ♥ ♥ ♥ ♥
Samantha Kingston tem tudo: o namorado mais cobiçado do universo, três amigas fantásticas e todos os privilégios no Thomas Jefferson, o colégio que frequenta - desde a melhor mesa do refeitório à vaga mais bem-posicionada do estacionamento. Aquela sexta-feira, 12 de fevereiro, deveria ser apenas mais um dia de sua vida mágica e perfeita. Em vez disso, acaba sendo o último. Mas ela ganha uma segunda chance. Sete "segundas chances", na verdade. E, ao reviver aquele dia vezes seguidas, ela desvenda o mistério que envolve sua morte - e, finalmente, descobre o verdadeiro valor de tudo o que está prestes a perder. Em Antes que eu vá, Lauren Oliver expõe as complexas relações que se formam dentro de uma escola, fugindo dos estereótipos habituais. Suas personagens, que inicialmente transparecem simplesmente egoísmo e superficialidade, são densas, guardam segredos e mágoas. Ao tentar mudar os acontecimentos do dia ao qual está presa, sua heroína se humaniza e, pela primeira vez, reflete sobre sua relação com as amigas, com a família, e sobre como seria o "último dia" que gostaria de viver.


É muito difícil eu começar esta resenha sem antes dar um adjetivo para o livro: lindo! Eu realmente já esperava que o livro fosse tudo aquilo que ouvi falar, e esperava que o livro me tocasse e fosse tão belo quanto minhas expectativas permitiam. Mas eu fiquei surpresa, de uma forma muito boa, com o fato de o livro conseguir superar todas as minhas expectativas e esperanças. O livro também rendeu quotes lindos e dos quais nem saberia escolher para colocar na resenha. Então as frases que vocês verão durante meus pensamentos sobre o livro, não são nem metade das belas frases tiradas durante a leitura. Assim como nem de longe mostram a beleza do enredo e da narrativa de Oliver em sua totalidade. A verdade sobre Antes Que Eu Vá é que eu realmente pensei em muitas coisas pra falar para vocês, e tenho a certeza de que não vou conseguir trazer para a resenha nem metade de tudo o que senti, pensei, e gostaria de dizer.



Samantha Kingston é uma garota popular, tem tudo o que quer, e não precisa se preocupar, afinal tem uma vida perfeita. Ela acorda em  12 de Fevereiro, achando que aquele é apenas mais um dia, dentre tantos outros dias que se seguirão, e tudo o que a preocupa é: não chegar atrasada no Dia do Cupido; quantas rosas irá ganhar; em não ser vista com os esquisitos da escola; em como está vestida; em como a noite terminará com ela e seu namorado, Rob, tendo finalmente "aquele" momento, etc. E como ela poderia imaginar que seu dia seria exatamente tudo aquilo que ela esperava, mas que terminaria de uma forma que ela jamais iria esquecer? Afinal, como ela poderia saber que aquele era seu  último dia?  
Talvez você possa se dar ao luxo de esperar. Talvez para você haja um amanhã. Um, dois, três ou dez milhões de amanhãs… Tanto tempo, que você possa nadar nele, deixar rolar e enrolar-se nele, deixá-lo cair como moedas por entre os dedos. Tanto tempo, que você possa desperdiçá-lo. Mas, para alguns de nós, há apenas o hoje. E a verdade, afinal, é que você nunca sabe quando chegará sua vez.  
Oliver retrata em seu livro temas realmente significativos, e dentre eles o bullying. E é este tema que vai se desnudando aos olhos de Sam, que, ao longo de suas tentativas, vai se questionando se tudo o que falam de certas pessoas é certo. Se o ódio que certas pessoas mostram por outras tem fundamento. Será que por uma pessoa ser menos bonita, ter problemas familiares ou não serem sociáveis, serem gordinhas, baixinhas, ou qualquer outro adjetivo... elas seriam menos merecedoras de terem uma vida feliz? Será que essas pessoas são tão diferentes de mim, e eu delas? Eu sou perfeita? Eu sou bonita? Eu realmente posso falar de um defeito que eu mesma posso ter?  Sam se pergunta diversas vezes se ela poderia realmente mudar tudo o que aconteceu, se ela poderia mudar, não somente o dia 12 de Fevereiro, mas tudo o que causou durante anos. Se todo o bullying, todo o amor mal direcionado, todas as suas expectativas, poderiam ser mudadas. É isso que Sam vai percebendo e aprendendo: que as diferenças estão nos nossos olhos e concepções, e que nunca é tarde demais para mudar e fazer a coisa certa. 
 
Sam não é o tipo de garota perfeita, mesmo que pense que é! E claro, ela não é tão ruim quanto parece. Nem ela, nem Lindsay, Ally e Elody são tão ruins quanto parecem. E vejam: Nenhuma delas são tão perfeitas quanto querem mostrar. Todas têm seus defeitos, e é isso que as une, apesar de tudo. Afinal, todas tem seus segredos, seus momentos divertidos, seus arrependimentos, suas lembranças. É isso que torna as pessoas únicas, não?

É muito bonito ver como Sam amadurece em suas segundas chances, e em como ela se livra de todos seus preconceitos, tudo o que achava que era bom e certo, de tudo o que a fazia se sentir mal, sem nem ao menos ter consciência. Afinal, tudo aquilo que ela praticava (bullyng, preconceito, etc) era um reflexo de sua convivência, de sua comodidade, e de tudo aquilo que ela nunca procurou realmente parar para ver. Boa parte de tudo o que ela fazia, o modo como ela agia e o que pensava, nada disso mostrava realmente quem ela era. E isto é uma das coisas que o desenvolvimento e descobertas de Sam nos mostram: o conhecimento de si mesma, pura e verdadeiramente. De toda a beleza que ela nunca parou para realmente olhar. De todas aquelas pessoas que ela sempre desprezou, por pura conveniência (e sem motivo algum), e que poderiam até mesmo ser seus amigos. De todas as possibilidades que ela perdeu, e irá perder. De todas as coisas que ela poderia mudar, mas nunca terá a chance. Mas principalmente, de tudo aquilo que está a seu alcance para mudar, para fazer o que é certo... pelo menos em seu último dia!

Este livro realmente nos faz refletir sobre como vivemos, o que dizemos e o que fazemos. E nos faz pensar: se este fosse nosso último dia, nossa última chance... o que faríamos? Nos faz parar para refletir em como perdemos tantas oportunidades, tantas coisas boas e belas, pequenos detalhes que poderiam fazer toda a diferença em nossas vidas. Pequenos gestos que poderiam transformar completamente tudo e todos. 

Infelizmente, eu não posso falar muito dos personagens do livro, sem soltar spoilers. Afinal todos eles, sem exceção, têm sua importância na trama, e nas descobertas de Sam. O importante para vocês saberem, é que os personagens são muito reais, com toda a sua história, personalidade e sentimentos. Posso dizer que não tenho personagens favoritos, afinal, de uma forma ou de outra, todos tem seu carisma, mesmo com seus defeitos e erros. Todos são muito interessantes.

Outro ponto muito importante, e que define bem o livro, é a menção (mesmo indireta), da tão famosa e conhecida (e já muito discutida): a Teoria do Caos, mais especificamente o Efeito Borboleta, que em suma diz que o bater das asas de uma borboleta num extremo do globo terrestre, pode provocar uma tormenta no outro extremo no intervalo de tempo de semanas.  Onde podemos perceber que todas as nossas ações têm consequências, causa e efeito, ação e reação. Ou seja, tudo aquilo que fazemos volta para nós de uma forma ou de outra, e afeta a todos que convivem conosco, de forma direta ou indireta. Ou até mesmo afetando a pessoas das quais você jamais tomará consciência.

Lauren Oliver narra sua história com maestria e de forma tão bela, que é impossível não se envolver com todos os sentimentos e com a redenção de Sam. O livro tem toda esta beleza e nos mostra muito sobre: esperança, arrependimentos, segundas chances, busca e descoberta da própria identidade, possibilidades, perdão, etc. E eu tenho que confessar que este é um livro que todos deveriam ter a oportunidade de ler. Oliver nos traz uma lição de vida, tão bela e singela, e da qual  eu jamais irei me esquecer. Eu realmente terminei o livro chorando muito, por toda a beleza que tive a oportunidade de conhecer. 

E para completar vou deixar vocês com um clip da música que Sam, Lindsay, Ally e Elody adoram ouvir!