Cidade da Penumbra
Lolita Pille
Tradução: Julio Bandeira 
ISBN: 978-85-987-0896-0
Preço:
R$29,90
Lançamento: 2011-01-19
Páginas:
304
Gênero:
Ficção
Editora: Intrínseca
Pontuação:♥ ♥   
Na Cidade de Clair-Monde, em um futuro próximo, sob uma espessa camada de nuvens e bruma, vivem os habitantes de uma cidade ideal na qual, para o bem de cada indivíduo, tudo o que pode ser prejudicial é proibido: os implantes bancários subcutâneos controlam os gastos, uma brigada antissuicídios fiscaliza as crises depressivas, a compatibilidade sexual é exibida em uma tela-rastreador portátil, as drogas são vendidas livremente, todos têm direito à cirurgia estética e à juventude quase eterna. Se não se deseja mais ser feliz, agora há escolha: viver nos confins da cidade, entre mortos-bancários, drogados, obesos, malucos. "Com a Clair-Monde, a felicidade não é mais uma utopia."Nessa sátira a uma sociedade utópica baseada na premissa da felicidade obrigatória, em uma atmosfera de policial noir, a autora faz referências a pesos-pesados da ficção científica, como Philip K. Dick, autor de Do Androids Dream of Electric Sheep?, o livro que inspirou o filme Blade Runner. Cidade da penumbra é um retrato muito bem-acabado do consumismo e do endividamento bancário, do uso indiscriminado de remédios e drogas e da ditadura da felicidade a qualquer preço. Ao lidar com esses temas que já assombram o presente, Lolita Pille cria polêmica e aborda o totalitarismo, o racismo, a desinformação, a vigilância big brother, as cibertecnologias e assim, mais uma vez, desafia convenções.

 Bom, para começar a resenha, vou deixá-los com um pensamento meu sobre os livros: sabe o que acho super interessante no ato de ler? É que, a visão que o autor teve ao escrever seu livro, e a mensagem que quis passar ao narrar sua história, provavelmente será diferente da minha visão e interpretação da mesma. Assim como você ao ler esta resenha e depois, ler o livro, pode ter uma impressão totalmente diferente da minha, e assim por diante.

Agora, falando do livro. Em primeiro lugar eu o definiria com duas palavras: curto e grosso. Eu já tinha ouvido falar que Lolita Pille não nos poupa com sua narrativa, ela é direta e certeira, nos atingindo com suas palavras sem pudor ou receio. Eu diria que o modo como ela conduz a história não é para os fracos. Se você não curte uma história forte e cheia de opiniões marcantes, talvez não goste muito deste livro.

Aliás a narrativa e história me lembraram muito o filme Gamer, que é de ficção científica futurista, dirigido por Mark Neveldine e Brian Taylor, e estrelado por Gerard Butler, lançado em 2009. Não que a história de ambos seja igual ou meramente parecida, longe disso. Mas é que a sensação que eu tive ao ver o filme, é a mesma que tive ao ler este livro de Lolita Pille. Em alguns momentos me empolgando e em outros me dando até mesmo aflição.

Como o próprio nome do livro diz, os cidadães de Clair-Monde, a Cidade, estão presos neste lugar que vive na Penumbra, sem verem a luz "verdadeira" do Sol. Através de bolhas que encobrem a Cidade, e por meio de projeções é recriado o céu, dando a falsa impressão de que tudo está normal. Mas tudo está muito longe de estar bem. Uma coisa interessante no livro, é que não se tem noção de tempo, se o que está acontecendo é um futuro longínquo ou próximo, já que a marcação de ano se inicia do zero. A história trata dos vícios e maldades que se encontram em cada ser humano, assim como trata também das instituições falidas e sem causa verdadeira, ou até mesmo dos governos falhos, que encobrem todo tipo de acontecimentos em benefício próprio. Além de destacar a dependência das pessoas e sua cegueira para o que é real.

O livro é dividido em cinco partes, que são respectivamente: O GRANDE APAGÃO, MORTE DE UM HACKER, AZUL COMO AÇO, EXIT, e ANTES DO CREPÚSCULO. Logo que comecei a ler o livro, a primeira parte me foi um pouco estranha, por diversos fatores, como por exemplo a narrativa abrupta de Lolita, e por algumas descrições realmente grotescas. E foi assim que terminei de ler O GRANDE APAGÃO, achando tudo meio estranho. Logo que o livro entra na segunda parte, MORTE DE UM HACKER, eu já estava mais acostumada com a narrativa e descrições da autora, assim como sua visão. Eu realmente comecei a gostar da trama, me envolvendo e torcendo por Syd Paradine.

A partir desta parte do livro, conhecemos melhor vários aspectos da história e dos personagens, e seu passado. Aliás Syd Paradine, apesar de ser um beberrão e desiludido, mesmo sem perceber, e apesar de continuar uma busca que talvez não tenha fim, ele é um personagem impressionante. Talvez não diria que seja carismático, definiria mais como envolvente. Não do tipo charmoso ou galã e metido a herói, mais do tipo sofrido e cansado demais. E toda sua trajetória e descobertas nos fazem querer terminar este livro. Eu diria que Lolita acertou em cheio com Syd Paradine. O livro ganha desde então um ritmo muito bom, com muita ação e fugas, em que Syd se vê ansiando por respostas e se esgueirando para salvar a própria pele. Outros personagens muito importantes na trama são Shadow Smith e Blue Smith.

Depois da terceira parte do livro intitulada de AZUL COMO AÇO, acho que a história começa a se perder um pouco. E quando terminei de ler o livro, acabei ficando com a impressão de que havia muitas cosias das quais eu gostaria de explicação. Talvez tenha sido falha minha, e infelizmente eu não posso dar muitos detalhes, pois não gosto de soltar SPOILERS em resenhas, mas realmente, foi esta a sensação que tive. Muitas incógnitas permaneceram no ar, e apesar de certa forma, algumas peças fundamentais se encaixarem,  ainda houve pequenos detalhes que escaparam à elucidação. Para finalizar, o final foi meio abrupto.

Não tirando o mérito da autora, as descrições são fantásticas, tanto as descrições psicológicas quanto  de ambientes e personagens. E para o propósito ao qual o livro se dispõe, acho que passa bem sua mensagem. Afinal se trata de uma expressão contra diversos males da humanidade, como os vícios e racismo.

Resumindo, gostei do livro, mas ele acabou sendo mediano. Alguns aspectos poderiam ter sido melhor explorados.