A BARALHA DO APOCALIPSE – Eduardo Spohr – Verus Editora – 585pgs.
Sinopse: Há muitos anos, tantos quanto o número de estrelas no céu, o paraíso celeste foi palco de um terrível levante. Um grupo de anjos guerreiros, amantes da justiça e da liberdade, desafiou a tirania dos poderosos arcanjos, levantando armas contra seus opressores. Expulsos, os renegados foram forçados ao exílio e condenados a vagar pelo mundo dos homens até o dia do Juízo Final. Mas eis que chega o momento do Apocalipse, o tempo do ajuste de contas. Único sobrevivente do expurgo, Ablon, o líder dos renegados, é convidado por Lúcifer, o Arcanjo Negro, a se juntar às suas legiões na Batalha do Armagedon, o embate final entre o céu e o interno, a guerra que decidirá não só o destino do mundo, mas o futuro da humanidade (Fonte: Contra-capa do livro).
O autor: Eduardo Spohr, além de escritor, é jornalista e blogueiro. Também administra um curso de literatura como professor da faculdade Hélio Alonso, no Rio de Janeiro. Para maiores informações, visite o site do autor (www.abatalhadoapocalipse.com).
Resenha: Eduardo Sporh esbanja talento nesse livro. Construindo de forma notável, criativa e apaixonante, uma trama de proporções épicas. Um belo trabalho que não fica nada a dever aos grandes nomes da “literatura de fantasia”, como: Terry Brooks, Emily Rodda, Licia Troisi, Christopher Paolini, entre outros.
Em A Batalha do Apocalipse, o autor une o Livro do Gênesis e o Livro do Apocalípse bíblicos com singular ousadia. Sem ser pedante ou tendencioso, Eduardo Spohr não se apega ao canone místico, ou mitológico, da fé cristã para recriar as suas legiões de anjos, serafins e arcanjos. Despojado de qualquer dogma, vai além dos conceitos sobre a criação do universo, do nascimento do homem, do surgimento das civilizações, da missão do Messias, da angeologia, da demologia e da própria existência de Deus, descritos na Bíblia. Sua obra transcende o mito, a superstição, as lendas e até mesmo a fé, e desnuda um universo onde o gênero humano não passa de fantoche nas mãos dos ganaciosos arcanjos.
Ao ler A Batalha do Apocalípse, deixe de lado crenças religiosas e conceitos dogmáticos da fé. Considere que o livro se trata de uma obra de ficção, onde o autor expressa toda a sua genialidade literária. Desta forma, a leitura se tornará muito saborosa, trazendo-lhe uma satisfação ímpar. Esse é o melhor livro sobre o tema “Apocalipse” que já tive a oportunidade de ler. Eduardo Spohr prova que a literatura brasileira atingiu um novo nível autoral e uma qualidade narrativa impressionante. É, sem dúvida alguma, um modelo a ser seguido.
A começar pela capa, com a excelente ilustração de Stephan Sölting, o livro possui um cuidadoso trabalho gráfico. A narrativa, em suas quase 600 páginas, é clara e concisa, com um estilo próprio, sem exageros ou excessos. Os personagens são condizentes com a trama, e nenhum deles, por mais simples que seja sua participação, fica sem uma apresentação adequada e esclarecedora dentro do contexto geral. Adorei o glosário no final do livro, com os nomes em ordem alfabética dos personagens e das localidades, com explicativo. A cronologia das datas apresentadas na história também ficou ótima.
Nas primeiras 70 ou 80 páginas do livro os diálogos e a narrativa são um tanto que truncados, pouco articulados. Fiquei com a impressão de que Eduardo Sporh estava ensaiando, tentando encontrar um equilíbrio adequado entre narração e diálogo. Pensei seriamente em abandonar a leitura. Fiz bem dar uma chance ao livro. Porque, a partir deste ponto em diante, a narrativa decola, toma corpo e articula-se de tal maneira que parece que a história ganha alma própria. Flui de forma envolvente, enredando-nos em suas linhas até o último parágrafo, consumindo nossa atenção de um só fôlego.
Os arcanjos e anjos da mitologia criada por Sporh possuem interesses que vão além dos desejos humanos. Os homens, aliás, são tidos como seres abjetos que merecem e precisam ser exterminados. Os Arcanjos, invejosos, desalmados, bem que tentam: na expulsão do Paraíso, no dilúvio, na destruição da torre de Babel, no extermínio das cidades de Sodoma e Gomorra, além de outras catástrofes devastadoras, como a destruição da Atlântida e da fabulosa cidade de Enoque. Constantemente em guerra, os invejosos Arcanjos estão prestes a destruir o universo para consolidar os seus planos mesquinhos de domínio. No meio desse embate apocalíptico, surgem heróis de proporções divinas que fariam Gilgamesh ficar de cabelo em pé e roer as unhas. Ablon, o Primeio General Renegado, e Shamira, a feiticeira de En-Dor, formam um par de imortais aguerridos e apaixonados que lutam para salvar a humanidade dos maléficos arcanjos. Diante do Armagedon, a luta é de uma ferocidade que me transportou imediatamente às suas fileiras, e, por diversas passagens marcantes, me senti revestido de couraça reluzente e içado aos céus em asas igualmente potentes, tamanha é a empatia que a narrativa nos causa.
Os cenários onde se passam a trama do livro são variados. Temos os Planos Celestes, as profundezas do Inferno, Babilônia, Roma, China, Europa Medieval, Rio de Janeiro, Israel, abarcando uma linha de tempo que remontam aos primórdios da formação do nosso planeta terra. Gostei muito da parte em que Ablon viaja da China para Roma, e de lá para Israel. Toda essa parte é narrada em primeira pessoa, com muita inspiração filosófica e lutas incríveis.
Além de Ablon e Shamira, Eduardo Spohr criou personagens que transbordam vida, ferocidade, paixão, obstinação, inveja, ódio, humildade, amor e tenacidade. São tantos, que é impossível ficar indiferente ao conflito por eles perpetrado no Céu, na terra, ou mesmo nas masmorras do Inferno. Aliás, por falar no capeta, a descrição que ele faz do Inferno é apavorante. Uma das melhores que já tive a oportunidade de ler. Dante Alighieri, certamente, está se contorcendo em sua tumba, consumido pela inveja. Vai ver é outro arcanjo pretencioso…
A Batalha do Apocalipse é uma grande sacada da Verus Editora que acertou em cheio com esse lançamento. O livro é espetácular, e espero que Eduardo Spohr nos brinde em 2011 com um outro título de dimensões divinas.
CAPA: 9 - SINOPSE: 9 - NARRATIVA: 9 - HISTÓRIA: 10 - ORIGNALIDADE: 10
NOTA: 9


30 Comentários
Ain, eu to doida pra ler esse livro, mas ainda não tinha lido nenhuma resenha dele e tal, me interessei e muito pelo tema e por ser brasileiro. Ando valorizando mais nossa literatura. Bom, e a resenha ficou excelente, parabéns Livy, você escreve muito bem! <3
ResponderExcluirBeijos, Kaká.
Eu vi esse livro em uma reportagem no Jornal do SBT.
ResponderExcluirEu achei interessante o fato de ser de um autor brasileiro. Fiquei com vontade de ler.
Adorei a capa desse livro. Aliás, averus está lançando uns livros bem legais. Acompanho o Blog da Livy com alguma frequência, e acho legal! ;) Maneiro. A resenha tá muito boa tb. Parabéns!
ResponderExcluirAdoro a capa desse livro...
ResponderExcluirE adorei a resenha...
Beijocas,
Lariane - www.leiturasedevaneios.com.br
Kaká, a resenha não foi escrito pela Livy, se é que entendi direito, mas pelo colaborador do blog, Claudio Prado.
ResponderExcluirMe corrijam se eu esiver errado. Aliás, ele escreve muito bem. Parabéns pela resenha.
Sigo com frequencia o blog, e adoro. Gosto das resenhas e tudo mais... O blog tem a sua cara, Livy. Parabéns.
Beijos,
Nívea C. - Osasco.
Sim, Nivea, a resenha é do colaborador do blog Cláudo! E obrigada a todos pelo carinho!
ResponderExcluirBeijos,
Livy (adm)
Obrigada, Livy, pela resposta. Vc é um amor. Beijos...
ResponderExcluirNivia C. - Osasco
Me deixaram louca de curiosidade pra ler esse livro, a Guta vai comprar, ler e me mandar HAHAHA
ResponderExcluir--
Maeva
Murphy's Library
Cláudio, parabéns pela sua resenha.
ResponderExcluirDe fato, a editora Verus fez muito bem em apostar em A Batalha do Apocalipse. Mas é importante lembrar que o livro já havia sido lançado antes, e creio que foram 2 edições anteriores, sendo a primeira delas meio experimental.
É raro ver um livro brasileiro fazer sucesso, especialmente se o autor não é um artista ou se envolveu em algum escândalo que repercutiu nos meios comuns de comunicação. No caso dessa obra, o autor lançou o livro em um fórum de interesses nerd, e ali conquistou adeptos para fazer um verdadeiro flood de propaganda na rede. Com isso eles geraram interesse pela obra e, claro, a consequente publicação em uma editora boa.
O livro é legal, mas não passa uma mensagem... Falta um pouco de emoção também, e o personagem principal não é carismático. É um bom livro de ação, com muita pancadaria, espadas, golpes e informações muito bem coletadas pelo Sphor a respeito de religiões, cranças, história, lendas etc.
No mais, é necessário um investimento monstruoso para colocar o livro em destaque em várias livrarias.
Resumindo o que eu queria dizer, a obra tem muito mérito, e também está recebendo muita ajuda.
O livro parece ser muito bom! Espero que consiga ganhá-lo no sorteio! :D
ResponderExcluirBeijinhos
Amanda {Primeiro Livro}
a capa é muito bonita, quero muito ler este livro e essa resenha só fez aguçar o meu instinto querendo ler este livro!!
ResponderExcluirNão vejo alguém falando mal deste livro. Estou doida para lê-lo. Boa resenha!
ResponderExcluirA literatura Fantástica brasuca, desde Vianco, dá sinais de que vem ao mercado editorial pra ficar, mostrar sua cara, pedir passagem. São autores procurando um lugar ao sol. Acompanho vários autores nacionais que aprecio, tais como Simone Marques, Magrini e o próprio Vianco.
ResponderExcluirA Batalha do Apocalipse foi amplamente divulgado na mídia, tornou-se obrigatório sua aquisição. A temática me agrada e por ser nacional, mais ainda. Parabéns pela resenha, deixou-me curioso!
O Apocalipse é um assunto q até então foi pouco estudado;
ResponderExcluirVários amigos já leram este livro, inclusive pessoas que não são bookholic e a aceitação é completa..
ResponderExcluirtodo mundo adooooora A batalha do Apocalipse.
E eu estou louca para ler... kkk
adooro!
^^
abraços,
Luh
Adoro livros que lidam com a religião sem pragmatismos! Estou doida pra ler esse livro.
ResponderExcluirAh, estou seguindo o blog, ok? Se vocês puderem dar uma passadinha noi meu blog também, e seguir se curtir, vai ser bem legal!
Beijinhos!
http://felizvrosparasempre.blogspot.com/
Louca pra ler *-*
ResponderExcluirquero muito ler esse livro, gosto muito do tema.
ResponderExcluirme anima saber que cada vez mais os autores brasileiros estão ganhando o seu merecido espaço.
Estou louca pra ler esse livro.
ResponderExcluirFiquei mais louca por esse livro!! Eu querooo!
ResponderExcluirEu já comprei esse livro, mas não gostei por parte, porque mistura tanta coisa, que as vezes fica uma coisa embolada, cheio de crenças, paganismo, e fica meio estranho. Mas o que foi legal são as lutas e o mistério que até o final do livro te prende.
ResponderExcluir:D
Por fim, o livro é bom
Bjos
Quero muito ler adoro esse tipo de história, já esta na listinha de LIVROS QUE PRECISO ;)
ResponderExcluirbjo*
estou começando a ler, parece bom. Quem gosta deste tipo de literatura, nao deixe de ler o livro Paz Guerreira, do autor paranaense Talal Husseini. Fantastico!
ResponderExcluirEu tenho esse livro é muitooooooo bom!Pra quem está morrendo de vontade de ler leiam pois é uma historia muito interessante e te prende do começo ao fim!
ResponderExcluirBianca
ja li o livro é otimo, a narrativa e bem diferente te prende do começo ao fim!!!
ResponderExcluirTenho esse livro em casa a algum tempo e so agora que descobri que é de um autor brasileiro. Super curiosa para ler ele.
ResponderExcluirAmei sua resenha,mas eu não gostei muito da premissa desse livro,se passei da segunda página foi muito rsrsr' Mas que bom que gostou,amei sua resenha bem construtiva dando detalhes sobre a capa e mostrando os pontos fortes.
ResponderExcluirAbraços!!!
https://www.literalmentediferente.wordpress.com
Eu já li esse livro,e confesso que foi o primeiro livro que li onde o final me surpreendeu de tao incrivel...amei mesmo,super recomendo.
ResponderExcluirLi esse livro no ano passado e amei. Quando se vai ler um livro tipo esse, realmente é necessário deixar as crenças de lado para absorver a beleza da história. Sua resenha está ótima. Parabéns.
ResponderExcluirOlá Livy! :-)
ResponderExcluirEsse é um dos meus livros favoritos. O que mais me admira é que Eduardo Spohr é Brasileiro. E muito bom ter alguém tão brilhante em nosso pais.
Sua resenha como sempre foi muito clara e transmitiu a essência do livro. Parabéns mesmo! Você é ótima no que faz. Espero ver uma resenha dos meus livros ainda na sua pagina! rsrs
Beijão e sucesso sempre!
Estefania Cristina
http://escritoraestefaniacristina.blogspot.com.br/2015/02/o-relicario.html