Livro cedido pela editora para resenha
ISBN: 9788581052984
Tradução: Regiane Winarski
Ano de Lançamento: 2015
Número de Páginas: 240
Editora: Suma de Letras
Classificação: ♥♥♥♥ 
Carolina do Norte, 1973. O universitário Devin Jones começa um trabalho temporário no parque Joyland, esperando esquecer a namorada que partiu seu coração. Mas é outra garota que acaba mudando seu mundo para sempre: a vítima de um serial killer. Linda Grey foi morta no parque há anos, e diz a lenda que seu espírito ainda assombra o trem fantasma. Não demora para que Devin embarque em sua própria investigação, tentando juntar as pontas soltas do caso. O assassino ainda está à solta, mas o espírito de Linda precisa ser libertado — e para isso Dev conta com a ajuda de Mike, um menino com um dom especial e uma doença séria. O destino de uma criança e a realidade sombria da vida vêm à tona neste eletrizante mistério sobre amar e perder, sobre crescer e envelhecer — e sobre aqueles que sequer tiveram a chance de passar por essas experiências porque a morte lhes chegou cedo demais.

Joyland foi editado pela HCC, Hard Case Crime, que é uma marca norte-americana criada para publicações de livros policiais no estilo de romances noir das décadas de 1940-1950. Nessa série de livros, que já conta com mais de cem livros publicados desde 2004, entre novas edições e relançamentos, Stephen King figura com dois livros: The Colorado Kid (2005) e Joyland (2013).

Segundo Setphen King menciona, em uma entrevista concedida ao programa Fresh Air da Rádio Pública Nacional (RPN), a ideia de escrever Joyland surgiu quando ele viu um garoto em uma cadeira de rodas empinando a imagem de Jesus estampada numa pipa, em uma praia, cerca de vinte anos antes do lançamento do livro.

Quanto ao parque de diversões, segundo o autor, Joyland foi inspirado em um parque que existe em Salem, em New Hampshire. Por conta disso, alguns fãs e críticos do autor alegam que a sua ambientação de parque de diversão para Joyland não é fidedigna; ou seja, a forma como um parque de diversões funciona não está descrita corretamente no livro. A isso o King responde na "Nota do Autor", à página 239 do livro: “Pessoal, é por isso que se chama ficção.”

Por outro lado, se Stephen King não se deu ao trabalho de recriar nos mínimos detalhes o funcionamento de um parque de diversões  – pelo que fico muito agradecida, pois isso teria adicionado uma centena de páginas extras à leitura que, sinceramente, seria desnecessário –, ele, igualmente, não se preocupou em aprofundar o suspense sobrenatural e o mistério policial no livro.

Bem, não que o sobrenatural e o mistério policial não existam em Joyland. Pelo contrário, eles existem. No entanto, o drama e o excelente desenvolvimento das personagens acaba por eclipsar, ou relegar em segundo plano, esses dois aspectos essências da trama que quase passam despercebidos no decorrer da leitura.

A meu ver, é aí que Joyland fica a desejar, desmerecendo a belíssima capa em estilo dos filmes noir de suspense e terror dos anos 1950. Como thriller de suspense policial com assassinatos de serial killer num parque de diversões, com um toque sobrenatural fazendo uma das vítimas assombrar o parque, o livro é regular, para não dizer decepcionante.

Afora isso, Joyland é uma história muito bem escrita, com momentos emocionantes, ótima empatia, boa ambientação dos anos 1970, história divertida em certos momentos, ousada em outros, com bom aprofundamento do drama pessoal de algumas das personagens que giram ao redor de Devin Jones. Como drama que envolve o rapaz Devin Jones, o garoto Mike na cadeira de rodas e sua pipa, e sua mãe, Annie Ross, além de outros bons personagens igualmente carismáticos (aos quais King dedica uma rica construção de personalidade), o livro é excelente.

Devin Jones é o típico bom moço que, aos vinte anos, se torna o queridinho de Joyland. Dev é aquele tipo de cara que você quer ter como amigo, namorado, marido e genro. É carismático, afetuoso, sincero, bom trabalhador, inteligente, amoroso, entre outros predicados mais. Além de aprender a fazer amizade com uma rapidez incrível, também aprende os ofícios que lhe ensinam na mesma velocidade, e ainda encontra tempo para salvar algumas pessoas da morte e investigar um misterioso assassino que tem rondado o parque. De quebra, afeiçoa-se por Mike e sua mãe, e traça com o garoto na cadeira de rodas uma linha de afinidade que poderá ser a salvação de Joyland.

Apesar do carisma e do esforço de Dev para desvendar o mistério por trás do fantasma da garota Linda Grey, que assombra o Trem Fantasma do parque, e descobrir quem é o serial killer que ronda Joyland, eu esperava um pouco mais de Stephen King, bem mais, muito mais, por já ter lido alguns dos seus ótimos livros: O Iluminado, Escuridão Total Sem Estrelas, Doutor Sono, Novembro de 63, entre outros.

Apesar de um pouco decepcionada, Joyland me agradou bastante como um drama gostoso de ler, com ótimos personagens, aquele jeitinho especial que King tem de construir personalidades carismáticas e dramáticas, além de valorizar a amizade e os sentimentos humanos na narrativa. O final também me agradou bastante.

Por essas e outras, acredito que Joyland é um dos livros mais lights de Stephen King que eu já li, em termos de suspense e terror, mas, por outro lado, é uma narrativa que vai agradar todos os leitores pela sua simplicidade e pelo seu teor humano. Como não poderia deixar de ser, mesmo não sendo o melhor livro de Stephen King, ainda assim é um bom livro para quem procura algo mais leve e não voltado para o terror pelo qual o autor é tão conhecido e querido. Ótima dica para quem quer começar a ler Stephen King por algo mais neutro.