Livro cedido pela editora para resenha
ISBN: 978-85-01403-63-6
Tradução: Alice Xavier
Ano: 2015
Páginas: 448
Editora: Editora Record
Classificação: ♥♥♥ 
Pia Grazdani é uma estudante de medicina de inteligência excepcional. Em estreita colaboração com o geneticista molecular Dr. Tobias Rothman, da Universidade Columbia, ela trabalha na pesquisa que tenta criar órgãos de reposição para pacientes crônicos, o que poderia revolucionar a saúde pública. Através desse estudo, Pia espera ajudar milhões de pessoas. Porém, quando o laboratório vira palco de uma tragédia, Pia se vê obrigada a interromper suas pesquisas e começa a investigar, com a ajuda de um colega de turma, o que teria causado o desastre no laboratório de biossegurança. Quando Pia e George investigam mais a fundo, uma pergunta começa a rondá-los: será que alguém estaria usando informações de seguros de vida particulares para permitir que investidores se beneficiem da morte de terceiros?

Robin Cook é um escritor estadunidense (Nova York, 1940) graduado em medicina que se notabilizou-se no mundo todo por seus livros de thrillers médicos. Pode-se dizer que ele levou para a ficção os termos médicos, criando thrillers de sucesso, como: Coma, Cérebro, Corpo Estranho, Crise, Cura, Cura Fatal, Degeneração, Erro Médico, Estado Crítico, Intervenção, Marcador, Mutação, Terminal, Toxina, Vírus – todos esses já editados pela Editora Record -, entre outros.

Aos 74 anos, há quase 40 anos dominando esse gênero literário, Robin Cook é considerado um escritor de sucesso cultuado em todo o mundo. Seus últimos trabalhos, após Benefício na Morte (2011), ainda inéditos por aqui, são: Nano (2013), Cell (2014) e Host (2015). Algumas de suas obras já viraram filme: Coma (1978 e 2012 - remake), Esfinge (1981), Medo Mortal (1994), Vírus (1995), Terminal (1996), Invasão (1997), Risco Aceitável (2001) e Corpo Estranho (2008). Coma, publicado em 1977, bem como o filme homônimo de 1978, fizeram de Robin Cook o que ele é hoje: um dos escritores de thriller médico mais lido e respeitado em todo o mundo.

Em Benefício na Morte ele repete, uma vez mais, a fórmula que o consagrou por quatro décadas: um médico que se tornou escritor, que consegue passar através de suas histórias o conhecimento médico em linguagem fácil e tangível para todos. No seu dizer, ele é um médico que escreve, e não um escritor que passou a ser médico. Desta forma, Cook consegue nos trazer temas sempre atuais em seus livros, com tecnologia de ponta e estudos científicos que estão em debate nos círculos médicos do momento.

Esse é o primeiro livro do autor que leio, e a impressão que ficou foi ótima. Adorei sua escrita, bem ao contrário de certos escritores que parecem não entender absolutamente nada do que estão escrevendo, e tornam a narrativa sem pé nem cabeça; ou que entendem demais, mas não sabem filtrar seu entendimento para o público leigo, tornando a narrativa um verdadeiro tédio. Robin Cook, ao contrário desses, se posiciona como um mestre. Ele sabe perfeitamente o que escreve e nos passa seu conhecimento em uma narrativa dinâmicacativante, objetiva e limpa. Ler Benefício na Morte é mergulhar na essência da medicina e explorar os seus meandros tecnológicos.

Ah, mas Cook não explora apenas conceitos médicos e suas implicações na sociedade. Ele vai mais além. Se por um lado ele expõe discussões sobre células-tronco, organogenia (medicina regenerativa para produzir órgãos para transplante), ética médica, processos para produção de biotecnologia, por outro lado ele também aborda a moralidade, o capitalista, o egoísta e até o terrorista. Claro, o mundo não é perfeito porque as pessoas, lamentavelmente, ainda não atingiram um grau de perfeição, e, desta forma, há aqueles que não querem, obviamente, que nós, simples e humildes mortais, tenhamos o benefício dos avanços tecnológicos da medicina. Quando os interesses mesquinhos de uma minoria se sobrepõem aos da maioria, o resultado é sempre o mesmo em qualquer lugar. E é isso o que Robin Cook nos mostra neste livro.

Conduzindo personagens fortes, muito bem estruturados e com profundidade em suas personalidades distintas, Robin Cook nos leva para dentro de um tema controverso, muitas vezes debatido à exaustão pelas comunidades religiosas e médicas de todo mundo: a criação de órgãos humanos através de células-tronco extraídas do doador para o doador. Pia Grazdani, filha de pai albanês, é a protagonista, estudante de medicina no Centro Médico da Universidade Columbia, em Nova Iorque, onde, curiosamente, o autor se diplomou médico. Ali, também, se passa boa parte da trama do livro. Nos laboratórios da Columbiam o Dr. Tobias Rothman, médico responsável pelas pesquisas de organogenia, tem como parceiro de pesquisa o Dr. Yamamoto. Ali também trabalha Pia Grazdani, como estagiária e colaboradora de pesquisa. George Wilson é outro estudante de medicina, amigo de Pia e apaixonado por ela.

À medida em que a trama vai crescendo, novos personagem vão se mesclando na narrativa cada vez mais tensa, e intensa, como Edmund Mathews e Rusell Lefreve, dois amigos muito ricos especuladores da crise financeira de 2008; o Dr. Jerred L. Trotter, um médico sem escrúpulos que adora especulações financeiras, e Max Higgins, o seu sócio; a oportunista Gloria Croft; a simpática Dra. Helen Bourse, pró-reitora da universidade; o antipático Dr. Helmut Springer; e uma dezena de outros bons personagens, além da máfia albanesa alocada em Nova Iorque, como não poderia deixar de faltar num thriller dessa categoria.

Benefício na Morte não é um thriller de suspense investigativo, onde o bandido só é conhecido no último capítulo. O autor faz questão de dá-los a conhecer logo nos primeiros capítulos, mais preocupado em nos oferecer duas medidas, como  os pesos da balança, permitindo que vislumbremos os dois lados da mesma moeda. Assim, quando ele conclui a trama, podemos decidir por nós mesmos se a justiça foi de fato feita, ou não.

Pia Grazdani me pareceu chata, pedante e arrogante nos primeiros momentos, mas, à medida em que ela foi se revelando intimamente, passei a me simpatizar por ela e por sua luta cheia de altos e baixos, e bem violenta em alguns momentos, até o final tenso e, a meu ver, justo. E lutar essa garota sabe fazer muito bem. Além de boa boxeadora, Pia sabe como desafiar os seus superiores com sua petulância e inconveniência, além de causar sérias dores de cabeça à máfia albanesa.

Portanto, você pode esperar em Benefício na Morte um thriller bem gostoso de ler, com boa narrativa, ótimos personagens, uma estrutura dinâmica que prende a atenção desde o início, conhecimento médico de ponta bem explicativo, e ação tensa com um final dramático e surpreendente. Para os fãs de Robin Cook e aficionados por thrillers de suspense, este livro é recomendadíssimo. E já é um dos meus queridinhos.