Todas as Cores da Escuridão
Peter Robinson
Livro cedido pela editora
ISBN: 978-85-01-09343-1
Tradução: Carlos Duarte e Anna Duarte
Páginas: 378 
Ano: 2014
Editora: Record
Pontuação: ♥ ♥ ♥  
Enquanto corriam por um bosque, quatro garotos foram surpreendidos pela terrível descoberta de um corpo suspenso, no galho de uma árvore. Trata-se de Mark Hardcastle, um bem-sucedido cenógrafo e figurinista. O caso fica com a detetive Annie Cabbot, que não consegue entender por que um cenógrafo tão bem-sucedido como Mark, cuja última produção, Otelo, foi tão elogiada, se mataria. Seria mesmo um suicídio? Pouco depois, o corpo de Laurence, o companheiro de Mark, também é encontrado, revelando um crime com requintes de crueldade. Diante dessas circunstâncias Annie tem que interromper as férias do inspetor-chefe Alan Banks e chamá-lo para ajudar a resolver o caso. E quanto mais ele investiga, mais se vê preso em um mundo de sombras onde nada é o que parece. Motivado a descobrir a veracidade dos fatos, desafia autoridades, coloca a própria vida e o emprego em risco e se depara com inimigos inimagináveis. 

O primeiro livro da série policial Allan Banks foi lançado com sucesso em 1987, sob o título "Gallows View", seguido por outros 16 livros até Todas as Cores da Escuridão, que é o décimo oitavo da série, publicado em 2009. Após esse episódio da saga Allan Banks, outros quatro títulos foram lançados: Bad Boy (2010),Watching The Dark (2012), Children Of the Revolution (2013) e Abattoir Blues (2014). No Brasil, a Editora Record já publicou Amigo do DiaboBrincando com FogoCaso EstranhoPerto de Casa e Pedaço do meu Coração. Portanto, percebe-se logo que uma série que tem quase dezoito anos não é uma série qualquer. São 22 livros dentro da série Allan Banks e outros cinco com títulos diferenciados. O que, certamente, permitiu a Peter Robinson notabilizar-se em thrillers policiais de suspense. 

Todas as Cores da Escuridão é o primeiro livro que leio do autor. Portanto, não posso avaliar a sua obra como um todo, infelizmente. Com o devido tempo, pretendo ler outros livros dessa série e resenhá-los. Mas, desde já, posso dizer que Peter Robinson conseguiu chamar a minha atenção. Perfeitamente notada, é claro, pelo bom suspense que ele conseguiu criar nesse livro; um romance no mais tradicional suspense policial que prendeu a minha atenção da primeira à última página. 

A trama começa com um suicídio. Um sujeito pendurado numa árvore, para cujo local  é designado a inspetora Annie Cabbot, parceira, braço direito, confidente e "quase caso amoroso" do inspetor Banks; o qual, aliás, tirou uma semana de folga para relaxar ao lado de sua atual namorada, Sophia Morton. Às vésperas do final de semana, o caso do suicida não promete ser outra coisa senão exatamente isso, mais um que covardemente desistiu de continuar vivendo. Bom, seria simples assim, não fosse o fato de que Annie e sua colega, a sargento Winsome, descobrem algumas incongruências no local. Tais incongruências apontam em uma direção nada simples e agradável, e Allan Banks é reconvocado pela chefona, a superintendente Gervaise, para assumir o caso. 

Bom, imaginem se Banks volta da licença com um largo sorriso de orelha a orelha, deixando a belíssima (e enjoada) Sophie sozinha no jantar com os amigos. Até parece, né? Mais do que depressa ele vai tentar concluir o caso do suposto suicídio como, obviamente aparente ser, um suicídio. Mas, querendo ou não, aí entra uma velha lei de Murphy: "Se alguma coisa pode dar errado, dará. E mais, dará errado da pior maneira, no pior momento e de modo que cause o maior dano possível"

Allan Banks vai descobrir isso da pior maneira possível, envolvendo-se cada vez mais fundo no caso. E quanto mais ele e Annie esmiúçam a vida do suicida, mais eles descobrem acerca dos motivos que o levaram à morte. Ainda mais que o aparente suicídio está diretamente relacionado com o assassinato de um sujeito rico, homossexual e, de quebra, amante do suicida. 

A primeira suspeita é óbvia: assassinato seguido de suicídio? No entanto, Banks e Cabbot vão descobrir rapidamente que há muito mais escondido aí além de um  assassinato e um suposto suicídio; algo tão tenebroso que colocará em risco não apenas o relacionamento dos dois, mas também as suas carreiras e suas próprias vidas e  daqueles que eles mais amam. 

Com diálogos inteligentes (aliás, muitos diálogos), bem construídos, personagens fortes e marcantes, Peter Robinson tece uma trama de suspense onde o cerne de tudo é o caráter humano. Num mundo globalizado, onde a mídia é preponderante e instantânea, e nem tudo é o que parece ser (pois cada vez mais se tem a nítida impressão de que estamos perdendo as nossa individualidade), Todas as Cores da Escuridão desponta como um romance policial de investigação tradicional que aborda temas importantes da nossa sociedade moderna, como o homossexualismo, amizade, drogas, o poder das tecnologias de ponta, o temor do terrorismo, a falta de confiança das pessoas uns nos outros e o bom e velho egocentrismo. Eita nós, hein? O que seria do mundo sem o homem egocêntrico. 

E investigação é o que não falta no livro. Altos e baixos, como numa gangorra, em que Banks e Cabbot se deparam com forças que estão acima até mesmo da própria lei, e que farão de tudo para impedí-los de chegar fundo no cerne da questão e descobrir a verdade por detrás desse caso misterioso envolvendo um suicídio e um assassinato. Desta forma, a cadência da ação no livro é feita pelo ótimo suspense que nos prende à trama através dos diálogos e da investigação propriamente dita. 

Um outro ponto interessante são os personagens. São muitos, todos muito bem caracterizados e construídos com esmero. Em particular, gostei da atuação e do caráter da Annie Cabbot e da superintendente Gervaise. Me simpatizei com a Winsome também. Sophie, a namorada de Banks... bem, deixa pra lá. Quanto ao Banks, achei-o um pouco arrogante e muito senhor de si. Talvez por que ele precise um pouco dos sentimentos da Cabbot para domesticá-lo. Seja como for, quem sabe isso ocorra nos próximos livros da série. 

O final também é bem interessante e cheio de surpresas. Gostei! E fica uma ressalva para a ótima capa do livro, gostei muito. Este livro é um excelente exemplar para os fãs da série, ou mesmo para os que, assim como eu, ainda não conhecem o trabalho de Peter Robinson e as peripécias investigativas de Allan Banks e Annie Cabbot. Portanto, fica aqui a dica. Todas as Cores da Escuridão é altamente recomendado para fãs ou não de Peter Robinson, e do gênero, pois é um excelente thriller investigativo. Aliás, a série Allan Banks, como um todo, parece ser muito boa.