Ontem eu fui assistir ao filme Se Eu Ficar no cinema, e sai de lá com os olhos vermelhos e o nariz escorrendo, como se estivesse enfrentando uma bela crise de rinite. Sabe como é, sou chorona por natureza, e meu sobrenome é manteiga derretida. Por isso vim dividir com vocês minhas impressões sobre este filme que é (era) um dos mais aguardados para Setembro

Ficha Técnica:

Título original: If I Stay
Distribuidor WARNER BROS.
Lançamento: 4 de setembro 
Ano: 2014
Duração: 1h46min
Gênero: Drama
Nacionalidade: EUA
Direção: R.J. Cutler
Roteiro: Shauna Cross
Compositor: Heitor Pereira
Produtora Executiva: Gayle Forman
Elenco: Chloë Grace Moretz (como Mia Hall); Mireille Enos (como Kat Hall); Joshua Leonard (como Denny Hall); Jamie Blackley (como Adam);  Stacy Keach (como Grandpa); Liana Liberato (como Kim Schein); Jakob Davies (como Teddy Hall); Aisha Hinds (como Nurse Ramirez); entre outros
Sinopse: Mia Hall (Chlöe Grace Moretz) é uma prodigiosa musicista que vive a dúvida de ter que decidir entre a dedicação integral à carreira na famosa escola Julliard e aquele que tem tudo para ser o grande amor de sua vida, Adam (Jamie Blackley). Após sofrer um grave acidente de carro, a jovem perde a família e fica à beira da morte. Em coma, ela reflete sobre o passado e sobre o futuro que pode ter, caso sobreviva.

Minha Opinião: 

Se Eu Ficar é baseado no best-seller da Gayle Forman, que foi publicado aqui no Brasil pela Editora Rocco e em Agosto de 2014 relançado pela Editora Novo Conceito. Confesso que não li o livro, pois vi muitas resenhas abordando alguns pontos desfavoráveis na história, e uma delas sendo a falta de emoção na trama. Então fui assistir ao filme no cinema sem ter conhecimento da história, sem fazer comparações, sem esperar nada. E isso é muito libertador.

Vejo que o filme cumpriu bem com seu papel com a carga dramática, apesar de algumas falhas que deixaram de dar à história uma carga emocional muito maior. O filme tem seu foco principalmente no romance de um casal jovem e descolado de músicos que tem tudo para dar certo, mas que também tem tudo para dar errado.

Adam (Jamie Blackley) é o típico garoto popular que todos conhecem e adoram, e tem sua própria banda de punk rock. Mia (Chloë Grace Moretz) é totalmente o oposto: retraída, tímida e nem de longe popular, vive pela emoção que a música lhe traz, e é um prodígio do violoncelo. Mia e Adam acabam se conhecendo na escola, e Adam a convida para sair. A partir daí a vida de Mia muda muito.

Mais de um ano e meio depois, Mia está aguardando sua carta de aceitação na famosa Julliard, e não quer sair de casa no meio de uma grande nevasca, mas seus pais a convencem a ir visitar os avôs junto com eles e seu irmãozinho. No caminho, um acidente terrível faz com toda sua família seja levada ao hospital em estado gravíssimo, e a própria Mia, em coma.

Agora em espírito, ainda em coma, Mia vai vagar pelo hospital onde ela e sua família estão internados, e vai ver a vida e os sentimentos das pessoas que a amam com outros olhos. Entre a vida e a morte, ela vai ter que lutar pelo que acredita ser certo: morrer ou ter motivos para ficar.


As cenas são alternadas entre o presente e o passado com flashbacks de Mia sobre sua família e sobre o relacionamento dela com Adam, e os momentos que a levaram até ali. Tudo isso nos faz sentir mais empatia pela personagem e seu drama. Principalmente nos apegamos à família da garota, que é tão diferente e tão bonita.

As atuações de Mireille Enos (a mãe) e Joshua Leonard (o pai) estão maravilhosas, e me fizeram me emocionar diversas vezes ao longo do filme. 

Entre diversos flashbacks conhecemos mais sobre eles e o modo como largaram até mesmo alguns de seus sonhos para criar os filhos e fazer o melhor por eles. Pais amorosos e descolados, são, desde que Mia se entende por gente, a maior força que ela poderia ter. Me vi emocionada com cenas que mostraram a força do amor que sentiam pela filha, e por sua paixão pela música. 

Outro destaque é para Stacy Keach, avô de Mia, que tem duas cenas de importância, e justamente duas das cenas que mais gostei no filme. Onde uma delas chorei com suas belas palavras.

Uma das coisas que me incomodou um pouco na história como um todo, foi a falta de destaque para a dor de Mia pela perda dos pais (não, não é um spoiler, pois no próprio trailer isto já fica bem claro). Afinal, digo por mim mesma, só de imaginar perder meus pais, a dor de perder o que há de mais precioso neste mundo, me vejo sem chão. A própria Mia, claro, se vê sem motivação para lutar e continuar viva depois de perdê-los, mas este drama fica em segundo plano levando-se em conta o próprio romance e sua história com Adam.

Mas sim, as românticas de plantão, como eu, irão suspirar e derramar muitas lágrimas. O filme é clichê sim, é lindo sim, é melodramático sim, mas cumpre seu papel. O romance de Mia e Adam é fofo, bonito e triste ao mesmo tempo. Ambos estão perdidamente apaixonados, mas também estão apaixonados pela música e têm seus próprios sonhos para conquistar. Adam aquece nossos corações com atitudes e gestos tão bonitinhos que é impossível não suspirar. Jamie Blackley Chloë Grace Moretz estão bem em seus papéis, de um casal apaixonado que também sofre com muitas dúvidas, incertezas, dramas pessoais e dificuldades. 

Outro ponto que eu gostei foi o lado musical do filme. A paixão com que os protagonistas lidam com a música é linda. Mia respira música, e, como ela mesma diz, seu coração parece bater junto e no mesmo ritmo que a música.

A mensagem que a história passa é bonita, onde aprendemos que dar valor ao que nos é importante é algo premente. Nunca sabemos quando nossa vida pode mudar drasticamente, em questão de segundos. É isso que Mia aprende com seu passado e com o fatídico acidente de carro. Em sua jornada de lembranças e sua observação no hospital, ela percebe como cada momento é precioso, como cada pessoa é importante. E entende pelo que vale viver: o amor. Pois nunca esteve só, como achava que estava, e percebe que o amor, de todos os sentimentos, é o que nos une sempre, mesmo depois da morte. 


Perdão, amor, saudades, amizade. Se Eu Ficar é sim um filme emocionante. Concordo com algumas críticas que dizem que o filme é clichê, mas a vida não é assim? Acontecimentos, sentimentos, dores e tristezas similares? É o que nos faz ter empatia pelo próximo. É o que nos une na dor, é o que nos torna humanos. Porque sim, a vida é uma imensa bagunça, mas é aí que está sua beleza.

Confesso que chorei sim, e que me emocionei muito com filme, com a dor da perda e a descoberta de um verdadeiro amor. E sim, eu gostei do filme. Se Eu Ficar é romântico, é triste, é doloroso, bonito e tocante. Não tem um grande roteiro, ou uma grande história, mas nos mostra de forma simples e pura como a vida é valiosa.

A Trilha Sonora: 

Acho que tinha acabado, não é mesmo!? Só que eu não poderia falar de Se Eu Ficar e não falar da trilha sonora que contribuiu para a carga emocional do filme. Misturando composições do Adam, músicas clássicas, e outras músicas, temos uma trilha sonora bem bacana. Vamos conferir:

1-) Who Needs You, The Orwells
2-) Until We Get There, Lucius 
3-) I Want What You Have, Willamette Stone
4-) All of Me,  Tanlines 
5-) Promise, Ben Howard 
6-) Say Something, A Great Big World & Christina Aguilera 
7-) Never Coming Down, Willamette Stone 
8-) Halo, Ane Brun & Linnéa Olsson
9-) I Will Be There, Odessa
10-) Mind, Willamette Stone
11-) Morning, Beck
12-) Karen Revisited, Sonic Youth 
13-) Today, Willamette Stone
14-) Heart Like Yours, Willamette Stone
15-) Heal (If I Stay Version), Tom Odell 
16-) I Never Wanted To Go (Bonus Track),  Willamette Stone
17-) Suite No. 1 in G Major for Solo Cello, BWV 1007: Prelude (Bonus Track), Bach Prelude
18-) Cello Concerto in A Minor, Op. 33 (Excerpt) (Bonus Track), Saint Saens
19-) Sonata in B Minor for Solo Cello, Op. 8 (Bonus Track), Alisa Weilerstein

Trailer: