Austenlândia
Shannon Hale
ISBN: 9788501403889
Tradutor: Regiane Winarski
Ano: 2014
Páginas: 240
Editora: Record
Pontuação: ♥ ♥ ♥   
Jane Hayes tem 33 anos e mora na Nova York atual. Bonita, inteligente e com um bom emprego, ela guarda um um segredo constrangedor: é verdadeiramente obcecada pelo Sr. Darcy. Embora sonhe com ele, os homens reais com os quais se depara são muito diferentes dos que habitam sua fantasia. Justamente por isso, ela decide deixar de lado sua vida amorosa e aceitar seu destino: noites solitárias aconchegada no sofá assistindo a Colin Firth em seu DVD. Porém, esses não são os planos que sua rica e velha tia-avó Carolyn, tem para a moça. A única a descobrir o segredo de Jane deixa, em seu testamento, férias pagas para a sobrinha-neta na Austenlândia. A ideia é que Jane tenha uma legítima experiência como uma dama no início do século XX e consiga se livrar de uma vez por todas de sua obsessão. Contudo, para isso, ela terá que abrir mão do celular, da internet e até do uso de sutiãs em troca de tardes de leitura, espartilhos e... a companhia de belos cavalheiros. 

Austenlândia é o tipo de livro fofo ideal para descontrair. Eu comecei a ler sem esperar muito do livro e acabei me deliciando com uma leitura leve, divertida e gostosa.

Jane Hayes tem 33 anos, é bonita, tem um bom emprego, mas está cansada de ficar sozinha. Em contrapartida não acredita mais nos homens. Depois de uma grande lista de namoros fracassados, ela já perdeu a esperança de encontrar o homem ideal. Ela sonha com o dia em que encontrará seu próprio Sr. Darcy e viverá feliz para sempre. Mas a vida é muito mais cruel e parece que isto está longe de se tornar uma realidade.

Jane, desde sempre, vive no mundo de Austen, ama o livro Orgulho e Preconceito (o qual já leu inúmeras vezes) e vive suspirando pelo Sr. Darcy (mais precisamente pelo Colin Firth em seu papel), mas não consegue enfrentar sua própria realidade. Ela gostaria que seu mundo fosse tão perfeito quanto um livro de Austen, e acredita, realmente, que nasceu na época errada. Mas Jane está cansada de ficar se iludindo e sonhando com um Sr. Darcy que não existe e nunca existirá em sua vida.

Mal imagina ela que uma tia iria lhe dar o maior (e mais inesperado) presente de sua vida. Com sua morte, ela deixa como herança uma viagem, sem possibilidade de reembolso, programada para Jane. Ela terá que ir para uma comunidade turística nada convencional, que recria o mundo de Austen: Austenlândia em Pembrook Park, na Inglaterra. É aí que ela vê a oportunidade de "curar" sua paixão pelo Sr. Darcy, e se propõe a, quando sair de lá, deixar tudo para trás e começar sua vida "de verdade".

Quando ela chega lá o que ela encontra é um lugar totalmente bucólico, com regras rígidas de vestimenta, sem uso de tecnologia, onde ela terá que viver igual uma verdadeira dama do século XIX. Apesar de ela gostar tanto do mundo de Austen e seus livros, ela se sente bem desconfortável com este mundo em que ela tem que viver por algumas semanas. Estranhamente ela sente falta da modernidade e de sua vida fora dali. O pior é ela ter que suportar o humor difícil do Sr. Nobley, um homem carrancudo e nada aberto. O que ela não esperava é que ela iria viver tantas emoções naquele estranho lugar.

Claro que a gente sabe o tempo todo que a maioria dos “personagens” de Austenlândia são atores que são pagos para entreter os hóspedes: mulheres que buscam aventura e romance. Mas eu me apaixonei perdidamente pelo Sr. Nobley. Sua aura de “não me toque, sou um homem ferido” me fez gostar dele logo de cara, pois ele era diferente dos demais. Também gostei bastante de Jane (apesar de alguns momentos eu ter vontade de bater na cabeça dela com uma pá, de tão teimosa e ingênua), ela é bem divertida e é uma mulher comum, como qualquer uma de nós, em busca de seus sonhos e de uma vida feliz.

E eu li o livro muito, muito rápido: em apenas uma noite. O livro foi tão gostoso de ler que não consegui largar até terminá-lo. Quanto mais eu lia, mais o livro melhorava. Um dos pontos mais positivos para mim foi justamente o modo como a Shannon Hale narrou: divertido e leve. E conforme o romance vai se desenvolvendo no decorrer do livro, não tem como não se apaixonar pelo ar de Austenlândia e seus personagens. Sr. Nobley para mim foi o personagem mais forte e querido. Acho que ele deu toda a graça para a desventura de Jane. Fora que eu adoro personagens durões e carrancudos (não me julguem).

Apesar de alguma coisa ou outra na história que não me agradou tanto (como a atitude de alguns personagens), achei legal o fato de vivermos uma fantasia dentro da fantasia. O fato da autora “desmentir” tudo aquilo que a própria Jane está vivendo, como acordar de um sonho e perceber que você não viveu nada daquilo que parecia tão real. Este sentimento de perda que você sente quando acorda de um sonho muito bom. É o que acontece com ela quando, no decorrer da história, ela vai percebendo o que realmente é importante em sua vida. E quando ela vai embora de Pembrook Park ela percebe que toda a ilusão que ela criou por tantos anos, não passava disso: ilusão. Apesar de tudo desmoronar aos seus pés, ela amadurece o suficiente para perceber que tem que reconstruir sua vida, a sua vida de verdade. Mas claro, mesmo se vivendo a realidade ainda é possível sonhar. Deve-se ter um equilíbrio, e é justamente o que ela encontra.

O que não me agradou tanto quanto eu esperava foi o final. Achei que foi muito corrido e um tanto forçado, apesar de ter sido um final fofo. E, de certa forma, acabou com todo a ideia e romantismo criado ao decorrer do livro. É interessante, pois a vida é assim mesmo: a gente se ilude e acaba vendo que as aparências enganam, ou que o que acreditávamos ser de um jeito é, na verdade, de outro. Mas realmente achei que o final poderia ter sido um pouquinho melhor aproveitado.

Enfim, Austenlândia é um livro perfeito para as românticas de plantão, e também uma ótima pedida para se distrair. Se você procura um livro divertido e leve, você o achou.