Teardrop
Lauren Kate
ISBN: 9788501403971
Tradução: Ryta Vinagre
Ano: 2013
Páginas: 336
Editora: Galera Record
Pontuação: ♥ ♥ ♥   
Depois de perder a mãe em um acidente no mar, Eureka acha que nunca mais voltará a sorrir. E a promessa que fez à mãe – a de nunca mais chorar – se torna quase impossível… até conhecer Ander. Louro, alto e de pele muito branca, o rapaz parece estar em todos os lugares e saber coisas que não deveria sobre Eureka. Inclusive um estranho segredo relacionado às suas lágrimas e aos três artefatos que herdou da mãe: uma carta, uma pedra e um misterioso livro que conta a história de uma menina com o coração partido. Ela chorou tanto que deixou debaixo d´água um continente inteiro. Logo Eureka vai descobrir que a antiga lenda é mais que uma história, que Ander pode estar dizendo a verdade e que sua vida pode ter um curso mais sombrio do que ela imaginou.

Minha experiência com Lauren Kate começou há um bom tempo atrás, com a leitura de Fallen. Depois deste primeiro livro da série, não li mais nada da autora, assim como não li as continuações. Quando vi que a Galera Recordb iria lançar logo Teardrop por aqui, fiquei bem empolgada pois a premissa seria a de um livro diferente dos já batidos anjos, lobisomens e vampiros.

Mas depois a minha empolgação cedeu lugar à dúvida, e sinceramente, minhas expectativas sobre o livro eram mínimas. Não estava esperando realmente gostar do livro. Mas qual não é minha surpresa ao começar a ler o livro, despretensiosamente, e acabar me vendo envolvida e gostando!? É, tenho que dar o braço a torcer e morder a língua pois, mesmo que o livro não seja um dos melhores que li ultimamente, com certeza me agradou e me proporcionou uma boa leitura.

Eureka (que nome horrível minha gente) é uma garota de 17 anos que perdeu tudo em um terrível acidente: perdeu sua mãe e sua vontade de viver. Uma terrível onda gigantesca varreu o carro onde elas se encontravam atravessando uma ponte, e a mãe foi arrastada e sepultada pelo mar. Sem saber como sobreviveu, agora vivendo com o pai, os pequenos meio-irmãos de quatro anos e sua intolerante madrasta Rhoda, Eurekab não consegue nem ao menos chamar o lugar onde mora de lar ou casa. Passando por diversos psiquiatras e incompreendida por todos, as únicas pessoas que parecem lhe dar apoio e lhe ouvir são Cat e Brooks, seus melhores amigos.

Mas a verdade que a garota não diz para ninguém é: ela não se importa mais. Ela não quer mais viver, não vê sentido em levar esta vida depois da morte da mãe e de toda a sua alegria. Mas, ela nem sequer pode chorar. Há muito tempo prometeu à mãe que não choraria, não derrubando nem uma lágrima. Hoje, a garota não consegue nem ao menos "explodir". O que ela não imagina é que, muito além de sua dor e tristeza ou inabilidade para lidar com suas emoções, há um terrível mistério que a ronda e sua vida corre perigo.

Bom, como eu disse, não esperava acabar gostando do livro, mas gostei! A narrativa de Lauren parece estar muito mais madura, e o desenvolvimento de sua história mais elaborada. Gostei do modo detalhista e descritivo com o qual escreve, onde até mesmo a eletricidade no ar, antes de uma chuva,é palpável. Isso enriqueceu muito a história. Me senti verdadeiramente dentro do livro, vivenciando cada cena e sentindo cada cenário. Os pormenores na narrativa não são enfadonhos, pelo contrário, criam uma atmosfera muito mais real e mais vívida. Eu gostei muito deste ponto. Apesar de muitas narrativas terem o poder de me transportar para dentro de seus livros e suas emoções, me surpreendi com a capacidade da autora de me fazer sentir muito além das emoções, mas também sentir o cenário, o tempo, as cores e o gosto do mar.

Também gostei da personagem principal, Eureka. Apesar de seu nome horrível (espero que tenha uma razão para a autora ter escolhido este nome), ela se apresenta muito interessante. Ela está sofrendo, está se sentindo incompreendida e perdida, mas nem por isso se torna uma personagem chata ou massante. Pelo contrário, achei-a muito mais cativante justamente por isso, por este lado sofrido e sério. Ela não é tão cheia de mimimi quanto parece, e sua maior vontade é estar mais próxima da mãe: seja por lembranças, seja por sentimentos, seja pela sua perda de traquejo social. E se intensifica quando ela recebe alguns objetos estranhos, da herança que sua mãe deixou para ela: um aerólito, um livro e um colar, juntamente com uma carta bem enigmática. Tudo bem que sua mãe era arqueóloga e a vivia levando em aventuras, mas o que significariam aqueles estranhos objetos? O que eles teriam haver entre si? E o pior: o livro estava escrito em uma língua desconhecida, com estranhos desenhos e figuras, totalmente incompreensível.

Se não bastasse isso, um desconhecido garoto parece sempre estar a espreita, depois de um acidente envolvendo seus carros. Ander, o misterioso rapaz loiro, parece já a conhecer e vive aparecendo nos lugares mais inusitados. Ele não sai da cabeça de Eureka, e o segredo que ele trás consigo pode mudar sua vida para sempre. E Brooks, seu amigo mais antigo e fiel está mudado! Está se transformando em alguém cruel, que fere com palavras e atitudes a amizade de Eureka.

Este é um lado bem bacana do livro. Todo o mistério que envolve sua mãe e sua própria origem, assim como a importância que os objetos têm e que se revelam aos poucos, no decorrer da trama. Aos poucos vamos descobrindo o que realmente está acontecendo, quem é quem na história e o porque de cada coisa acontecer. Com o ponto culminante apenas no fim do livro, onde muitas revelações são feitas. E a autora abordou um tema que eu adoro, que é a lenda e o mistério que envolve Atlântida (só não gostei da visão da autora sobre o assunto, mas...). Gostei muito da mitologia que ela escolheu para criar sua história, e como ela desenvolveu os personagens e a trama. Outro detalhe que me agradou é o lado sombrio do livro. Ele é de certa forma pesado e carregado, e é perfeito.

Mas não posso deixar de mencionar que o livro é um tanto lento em seu desenvolvimento. A autora vai jogando os detalhes aos poucos, de forma lenta, mastigada, sem pressa. Isto me frustou um pouco, pois esperava um pouquinho mais de aventura. Mas quando o livro chegou ao fim, fica bem claro que o "vamos ver" vai acontecer nas continuações.

E como não poderia deixar de faltar tem o bendito do triângulo (um tanto sútil) amoroso, que eu odeio, odeio, odeio. HÁ! Ander e Brooks têm personalidades totalmente diferentes. Ander é calmo, preocupado e doce. Brooks é caloroso e vivo. Sou totalmente do contra, e apesar de Ander aparentemente seu o herói salvador, bonzinho e fofinho, eu cai de amores por Brooks. #teamBrooks

Enfim, a série promete ser bem bacana, com muita aventura, batalhas, romance e uma boa mitologia envolvida. Muitos mistérios para serem resolvidos e um grande desfecho. Espero que tome proporções gigantescas. Vamos ver o que nos aguarda na continuação.

PS.: Adorei a capa do livro.