E Se Fosse Verdade...
Marc Levy
ISBN: 9788581051325
Tradutor: Jorge Bastos
Ano: 2013
Páginas: 232
Editora: Suma de Letras Brasil
Pontuação: ♥ ♥ ♥  
E se Fosse Verdade... é uma história repleta de romantismo e bom humor, ingredientes que cativaram Steven Spielberg, fazendo-o adquirir, por US$ 2 milhões, os direitos do livro para o cinema. Marc Levy viu seu romance de estreia se tornar um grande sucesso de bilheteria. A história se passa em São Francisco, em julho de 1996. A jovem e bela Lauren, estudante de medicina, sofre um acidente de carro, entra em coma e vai parar no mesmo hospital onde trabalha. Apesar de seu estado, Lauren consegue, espiritualmente, voltar para o seu antigo apartamento. Lá, encontra Arthur, o arquiteto que é o novo morador do imóvel e a descobre no armário do banheiro ao ir tomar banho. Ele é a única pessoa que consegue vê-la, ouvi-la e senti-la. Inicialmente se recusando a acreditar na história de Lauren, Arthur só fica convencido de toda a verdade quando vai até o hospital e a encontra desacordada. A partir daí, ele vai fazer o impossível para ajudá-la a voltar ao seu estado natural.

Marc Levy tem um jeito totalmente único e inigualável de narrar uma história. Eu simplesmente adoro seus livros, e estava muito ansiosa para conferir seu E Se Fosse Verdade..., que foi relançado este ano pela Suma de Letras Brasil.

Para quem não sabe, este livro deu origem ao filme homônimo, estrelado por Reese Whiterspoon e Mark Ruffalo, que eu amo demais! Mas se você espera, ao ler o livro, encontrar a mesma história que a do filme, se engana. Pois as diferenças são gritantes! Ainda continuo preferindo o filme em muitos aspectos. Mas Marc Levy nos ganha com sua sensibilidade.

Em primeiríssimo lugar, eu adorei a edição caprichada da editora, e a capa ficou perfeita para o livro. Em segundo, eu preciso confessar uma coisa: este não é um dos meus livros favoritos do autor. Faltou um algo mais. Apesar de ter gostado do livro, faltou alguma coisinha para que eu pudesse classificá-lo como excelente e favoritá-lo. Mas de forma geral, o classifico como um bom livro.

Conhecemos, com uma narrativa em terceira pessoa, a história de Lauren e Arthur.  Lauren é uma jovem estudante de medicina, e tem tudo para ter uma longa carreira de sucesso. Além de amar o que faz, é dedicada e esforçada. Mas sua vida é brutalmente interrompida quando ela sofre um acidente de carro e fica em coma. Apesar da relutância dos médicos e enfermeiros, acabam tratando e cuidando de Lauren, e a mantendo no hospital sob observação. Mas a verdade é uma só: há poucas esperanças de que a jovem saia da inercia. 

Depois de seis meses, Arthur entra em cena. Locando o apartamento vazio onde a moça morava, ele se muda para lá. Mas é surpreendido ao abrir seu armário e se deparar com um fantasma. Ou melhor, com o espirito de uma linda mulher, que se diz ser a ex-dona do apartamento. Diz coisas que são inacreditáveis, como o fato de estar em coma e ele ser a única pessoa que consegue a ver. Arthur se mostra relutante de inicio, a acreditar nesta história fantástica. Mas aos poucos, e com algumas provas, o rapaz acaba cedendo e decide ajudá-la a achar uma solução para seu coma.

Este é um livro delicado. Não só por tratar de assuntos como medicina e eutanásia, mas pela forma como é narrado. Claro, Marc Levy transforma seus livros em pura poesia, esta é uma das características que mais gosto em sua escrita. E em E Se Fosse Verdade... não é diferente. Mas, como já dito, esperava um pouco mais do livro.

Há bastante termos técnicos da medicina (o que achei muito interessante, e adorei) mas nada que seja de difícil entendimento. O que considerei como um ponto realmente negativo é que Levy utiliza de um tempo mais lento para desenvolver a trama e os personagens. O inicio é um tanto monótono e além disso, não gostei muito do modo como o romance entre Lauren e Arthur se desenrolou. Achei um pouco superficial, apesar do envolvimento e convivência dos dois. Também achei os diálogos um pouco mecânicos em alguns momentos, não ficando muito natural no contexto. Resumindo, eu posso dizer que o que faltou para mim foi encantamento. Esperava ficar encantada com o livro, mas não aconteceu! Por este motivo deu 4 corações.

Mas espera aí: eu dei uma pontuação alta, e disse que não gostei de um monte de coisa no livro. Sim, é verdade! Mas em nenhum momento disse que não gostei do livro. A verdade é que quando leio sempre procuro avaliar a obra como um todo. Nisto acabo tirando tanto coisas ruins quanto boas. Assim como todo livro, E Se Fosse Verdade... tem sim, muitos pontos positivos.

Como eu sempre gosto de algum personagem secundário, não poderia deixar de mencionar Paul. Amigo e sócio de Arthur ele confere um toque de humor maravilhoso ao livro, e eu dei boas gargalhadas com sua personalidade irônico e sarrista.

Eu gostei também do enfoque que o autor deu para o personagem Arhtur. Realmente não esperava que seu passado e sua vida fosse ter um destaque tão grande e de tamanha sensibilidade. Eu simplesmente fiquei apaixonada por ele e seu modo de enxergar a vida, graças aos ensinamentos de sua mãe. Amei!
- Olhe bem tudo que temos em volta: água agitada, árvores, luzes que brincam a cada minuto do dia, mudando de intensidade e de cor, pássaros que circulam acima das nossas cabeças, peixes que tentam não ser pegos pelas gaivotas e continuam à caça de outros peixes. É toda uma harmonia de sons: das ondas, do vento, da areia. No meio desse concerto incrível de vidas e matérias, estamos você, eu e todos os seres humanos em volta. Quantos deles veem tudo isso que acabo de enumerar? Quantos se dão conta, a cada manhã, do privilégio que é acordar e ver, sentir, tocar, ouvir? Quantos de nós são capazes de esquecer por um instante as preocupações, para se maravilhar com esse espetáculo fantástico? Acho que a maior inconsciência do homem é com relação à própria vida. pág. 116
Gostei muito da história como um todo. Marc Levy trata com sensibilidade seus personagens e com muito carinho sua trama. Percebe-se que ele mastiga a história muito bem ao transpor para o papel suas ideias. E é isso que eu gosto em seus livros. Ele nos faz realmente sentir. Não há como não se comover com a situação de Lauren e sua angústia para sair do coma, pois tudo o que ela mais quer é viver. Como a verdade absoluta: só se dá realmente valor a algo depois que se perde. Isso se aplica muito bem à vida de Lauren. Não que ela não desse valor à sua vida, mas ela percebe que há muito mais beleza e muito mais para se viver do que imaginava. Ainda mais quando, apenas em espirito, descobre o verdadeiro amor. E o livro traz uma linda mensagem de que o amor não tem limites e tudo supera, quando se é verdeiro.

Se você gosta de um bom livro de drama e/ou romance, vai adorar E Se Fosse Verdade...; uma história para ler, refletir e guardar na memória com carinho.