Sempre, desde pequena, por volta dos meus sete anos de idade, jogo. Sempre amei me aventurar por novos mundos, gráficos, histórias e me divertir ou me aterrorizar com os games. Já joguei diversos gêneros e títulos - que vou mencionar numa postagem futura -, mas faz um bom tempo que não jogava nada - mais precisamente há quatro anos. Os últimos games que joguei foram Final Fantasy XIII e Mirror's Edge - ambos ótimos, gente! -, mas então criei o blog e outras atividades foram ocupando meu tempo e deixei esta vida de gamer de lado. Agora, muitos anos depois, finalmente consegui me organizar para voltar a fazer algo que realmente amo, que é jogar! 

E, para voltar à ativa em grande estilo, resolvi começar com The Walking Dead: The Game, Season One. Acho que nem preciso explicar o motivo da minha escolha, mas para esclarecer: amo o universo de TWD, sigo a série e estou me preparando para acompanhar os livros e as HQ's. Mas, enfim, coloquei TWD Season One para rodar, apertei o Play e comecei a jogar. E zerei o jogo em alguns dias XD E hoje, para estrear minha nova coluna no blog, a Games e Apps, vim fazer um review deste game que me deixou vidrada, totalmente e completamente envolvida, emocionada, viciada, e todos os "adas" possíveis.


Desenvolvido pelas Telltale Games para diversas plataformas, The Walking Dead Season One é dividido em 5 capítulos, como veríamos em uma série de TV, por exemplo. Cada capítulo pode ser comprado separadamente ou podem ser comprados em um pacote completo. Também é possível baixar gratuitamente o primeiro capítulo para teste em sistemas de aparelhos portáteis, como o iOS e o Android.


Começamos o jogo com Lee Everett, que foi preso, sem sabermos muito sobre ele ou o que está acontecendo. Ele pode ser - ou não - um assassino. Ele está em uma viatura, sendo transferido para outro lugar, e mantêm uma conversa com o policial que está dirigindo. Aos poucos, no decorrer do trajeto, Lee vai percebendo coisas estranhas acontecendo como viaturas passando a toda velocidade no sentido contrário, aviões, etc. 

Um corpo aparece na frente do carro e eles sofrem um acidente. Lee acorda no meio do nada, com o policial morto jogado longe do carro. Ele está com a perna ferida e desorientado, mas percebe que o policial está "vivo" e parece querer lhe atacar. Assim como outros sujeitos estranhos aparecem. Sim, a epidemia zumbi começou! Ele precisa lutar para sobreviver, e em meio a sua fuga encontra uma casa e a pequena Clementine. Os pais da garota estavam longe quando todo o caos começou, e ela não sabe onde eles podem estar. Confiando em Lee, e levando consigo seu rádio comunicador - única chance de talvez ter contato com os pais -, ela parte junto com ele, ambos lutando pela sobrevivência e sanidade, em um mundo devastado por zumbis e pela maldade humana.


Este crossover é baseado na série de HQ's e não na série de TV, e embora possamos conferir no decorrer do jogo alguns personagens que aparecem em ambos: como Glenn e Hershel, a história acontece simultaneamente a dos quadrinhos. Por isso, vemos personagens totalmente novos aqui, em uma história paralela à de Rick Grimes


Os gráficos do game são simples, mas absolutamente sensacionais justamente por isso. Com o efeito cel-shading - o que dá este estilo de quadrinhos - a leveza dos gráficos permite que ele rode sem travar, tranquilamente. A história aliada à arte gráfica, com seus tons sombrios e obscuros, trazem toda a carga dramática do mundo de The Walking Dead com maestria para o game. 


O jogo é no estilo Aponte e Clique e tem uma jogabilidade bem fácil e agradável, que contribui para que apreciemos a história e as escolhas que temos à frente. Durante o jogo você pode explorar ambientes e objetos do cenário, assim como pegá-los e usá-los posteriormente para resolver quebra-cabeças. Basicamente o uso de comandos são mínimos como as setas de direção, e em momentos de ação ou decisões, alguns botões específicos.

Alguns jogadores mais exigentes podem sentir falta de um pouco mais de dificuldade ou de puzzles mais complexos, pois também não é possível explorar completamente os ambientes, e também não é possível escolher completamente o que quer explorar. É possível sim observar, pegar e explorar muitos pontos dos cenários, mas de forma mais limitada à história e à solução dos puzzles que vão aparecendo para que a trama tenha continuidade.


Como o jogo é centrado na história e o desenvolvimento dela, assim como no emocional, nos laços afetivos e nas escolhas dos personagens e as consequências destas escolhas, este fato se torna irrelevante. De verdade, na minha opinião, não senti falta alguma de uma dificuldade maior nos enigmas, pois o jogo, em questão de conteúdo, supre esta falta. Aliás, em se tratando de história, o jogo é sensacional! Eu mesma adoraria ver uma série de TV com a trama que se desenrola neste game.


É bom deixar claro também que se você procura este jogo esperando matar zumbis desenfreadamente, atirando para todos os lados, pode ir tirando cavalinho da chuva. The Walking Dead vai além, muito além disso. Um dos principais pontos do jogo são os diálogos e a história. Jogar este jogo é um ato muito mais de se envolver com a trama, os personagens e suas escolhas e consequências, do que sair matando zumbis como se não houvesse amanhã. O jogo tem sim muita ação, lutas corpo a corpo, matança de zumbi, e sequencias de deixar o cabelo em pé, mas é o lado pessoal e emocional que são fundamentais e conduzem a história, e é justamente isso que torna o jogo perfeito.


Lembrando que quando falamos de TWD não falamos apenas de uma história de zumbis, mas de drama existencial e de sobrevivência. A história traz, com toda sua carga dramática, um desenvolvimento tocante, aterrorizante e devastador. Em diversos momentos do jogo somos impelidos a nos questionar o quanto vale a vida, as coisas que realmente têm valor, e como somos escravos de nossas escolhas, e se há esperança. Há também muitas passagens de tirar o fôlego que me deixaram sem respirar, com os olhos grudados na tela do computador. Outras - e muitas - passagens são de arrepiar os pelinhos da nuca! Outras são tão tocantes e emocionantes que cortam o coração. The Walking Dead é um jogo que me despertou muitas emoções, e me envolveu completamente!


Todos os capítulos do jogo avançam para uma crescente tensão. Com diversas sequências de ação e aventura, fuga e morte, sangue e pesar. É um jogo com uma história densa e pesada, que traz o mais sombrio do ser humano à tona, mas também mostra que todos somos donos do nosso destino, e temos que arcar com nossas decisões. 

Aqui, o jogo tem outra característica interessante que é justamento o das escolhas. O primeiro capítulo é decisivo para que você molde a personalidade de Lee e o que quer quer ele seja: alguém frio e perigoso ou um cara que se importa com os outros e faz tudo o que está ao seu alcance para proteger quem está ao seu lado. Ao longo da história, você poderá - e deverá - tomar atitudes entre escolher o que falar, escolher quem salvar, escolher que caminho seguir. Cada escolha terá uma consequência - imediata ou futura -, e os personagens com quem você interage se recordarão de suas decisões - direta ou indiretamente.Em alguns diálogos, por exemplo, você tem apenas alguns segundos para decidir o que irá dizer, escolhendo entre quatro opções, e a escolha acaba sendo impulsiva e intuitiva. O legal é que, quando você escolhe o que dizer - ou não dizer - a um outro personagem, imediatamente aparece na tela "O fulano vai se lembrar disso", "O sicrano confia em você", por exemplo. Isso é muito importante para saber a quantas anda o emocional dos outros, e como eles te enxergam, e como você poderá contar ou não com eles no futuro. 


Outras decisões de grande impacto são os personagens que você deve salvar: em alguns momentos de perigo e de ação, você só tem condição de escolher salvar uma pessoa. Muitas escolhas devem ser tomadas rapidamente, sem tempo para analisar todos os prós e contras, o que pode fazer toda a diferença entre morrer e permanecer vivo. Ou seja, são as suas escolhas que vão conduzir a história, e através delas que a mesma pode ser modificada, e ela é contada a partir destas decisões. Então você deve conviver com isso, pura e simplesmente. O interessante é que, fazendo uma pesquisa rápida na internet, é incrível o percentual de pessoas que tomaram os mesmos caminhos e decisões que eu tomei durante o jogo.


A ideia de que o game poder ser jogado diversas e inúmeras vezes para criar novos caminhos e trazer novas consequências é muito atrativa, mas não tenho interesse em refazer minhas atitudes só para ver o que poderia acontecer. Ao jogar pela primeira vez, criei o caráter de Lee - confiável e honesto - e seu relacionamento com Clementine - protetor e preocupado -, e não desejaria que fosse diferente, pois foi sincero e verdadeiro, e foi o caminho que senti que devia seguir. É esta a beleza do jogo: mesmo que você tenha n opções de caminhos a tomar, é a sua primeira escolha que faz o jogo.


Como disse, logo no começo desta review o principal atrativo é a história, que em determinado ponto avança para um final sem volta, escapatória ou escolha. É aqui que entramos em uma funil, e o quinto capítulo vai andando sozinho, praticamente contra a nossa vontade. Não há como fugir. Nossa, como sofri no quinto capítulo, e como sofri com todas as consequências inevitáveis. O final é de partir o coração, e jamais imaginei que iria terminar como terminou, ou que iria sofrer tanto com um jogo! Sério, que final! Chega a ser até poético, e é muito comovente.Terminei o jogo aos prantos e com o coração apertado.

Enfim, The Walking Dead é um jogo viciante e incrível, que vale muito a pena jogar. Para todos os fãs de TWD, ou até mesmo para aqueles que adoram uma boa história do gênero, é super indicado! Eu amei a experiência, e ainda depois de muitos dias após ter zerado ele, ainda estou com um aperto no peito e com saudades de Clementine e Lee. Estou me preparando para o Season Two, e assim que zerar o jogo, provavelmente, trarei aqui minhas impressões.

Espero que tenham gostado da dica, e aguardem para ver muitas mais por aqui. E para deixar vocês com gostinho de quero mais, confiram alguns vídeos do game: