O Espadachim de Carvão
Affonso Solano
ISBN: 9788577343348
Ano: 2013
Páginas: 256
Editora: Fantasy - Casa da Palavra
Pontuação: ♥ ♥   
Filho de um dos quatro deuses de Kurgala, Adapak vive com o pai em sua ilha sagrada, afastada e adorada pelas diferentes espécies do mundo. Lá, o jovem de pele absolutamente negra e olhos brancos cresceu com todo o conhecimento divino a seu dispor, mas consciente de que nunca poderia deixar sua morada. Ao completar dezenove anos, no entanto, isso muda. Testemunhando a ilha ser invadida por um misterioso grupo de assassinos, Adapak se vê forçado a fugir pela vida e se expor aos olhos do mundo pela primeira vez, aplicando seus conhecimentos e uma exótica técnica de combate na busca pela identidade daqueles que desejam a morte dos Deuses de Kurgala.
Quando vi a sinopse do livro O Espadachim de Carvão fiquei muito interessada e ansiosa pela leitura. Antes de mais nada, fiquei curiosa com o mistério que envolveria Adapak, o rapaz de pele totalmente negra, como carvão.

Affonso Solano trabalha como ilustrador e storyboarder para empresas como TV Globo, TV Record e agências de publicidade. É colunista do site Tech Tudo e co-criador do site Matando Robôs Gigantes, hoje incorporado ao grupo Jovem Nerd. Um nome de peso, não!? Dá para perceber que Solano vem com tudo para o mundo da literatura, cheio de criatividade e boas inspirações para seu trabalho. 

Aliás, uma das coisas que mais me chamaram a atenção em O Espadachim de Carvão é o trabalho primoroso e cuidadoso com a arte do livro. A ilustração da capa ficou por conta de Rafael Damiani e o projeto gráfico da capa foi realizado por Rico Bacellar. Além deste excelente trabalho, conferimos capítulos iniciados com ilustrações do próprio Affonso Solano, como a que podemos ver abaixo:


Em seu primeiro Solano nos mostra todo o potencial de sua criatividade apresentando ao leitor um mundo completamente único. Conhecemos todo um folclore: animais, vegetação, seres, lendas e crenças totalmente inéditos. E cada um destes com características e nomes inusitados e bem diferentes. O autor não somente cria um mundo totalmente novo, mas também toda uma linguagem própria.

Sua narrativa é rica em detalhes, com personagens de personalidade marcante. Intercalando entre os capítulos o passado e o presente, conhecemos Adapak, o espadachim de carvão (ponto para o autor, já que personagens de pele negra são raros em livros). Carismático, me cativou desde o início. Sua personalidade até certo ponto inocente e gentil, mas determinada e forte, me encantou. Não tive como não gostar e torcer por ele, em sua busca pela verdade e por respostas. E é através deste grande personagem que conhecemos o mundo de Kurgala, suas crenças, história, criaturas e mistérios. Um ponto forte e atrativo do livro são as cenas de ação e aventura, das quais Adapak é o centro das atenções.

Apesar de diversos pontos positivos, tenho que dizer que, infelizmente para mim, a fantasia criada por  Affonso Solano não funcionou. Eu não consegui acreditar no mundo criado pelo autor. A impressão que tive é que tudo foi jogado no papel apenas para se formar uma história de aventura e fantasia, mas sem grande profundidade. Quando leio um livro, um dos principais pontos que me farão gostar da história ou não, é o autor conseguir me convencer de que aquele mundo, ou aquelas pessoas realmente existem, ou existiram. O que aconteceu com este livro é que o autor não conseguiu me convencer. E fiquei realmente triste por isso, pois esperava bem mais da história.

Achei a trama um tanto sem força, e desde o inicio do livro fiquei me questionando qual era o objetivo do autor. Aonde ele queria chegar com sua história ou o que ele queria nos passar. E sinceramente, não consegui me envolver. Adapak foge incessantemente, e no final o motivo é um tanto previsível e apagado. Aliás, achei que justamente por isso a trama foi fraca, pois não há algo que me prenda a trama e a causa de Adapak. Apesar do mistério que o envolve e que acomete o mundo de Kurgala, me pareceu faltar algo que desse mais efeito e mais credibilidade para as ideias de Solano. Ao meu ver o autor foi muito criativo no desenvolvimento do mundo e dos personagens, e está de parabéns. Mas por outro lado, faltou força na história de forma geral. Ao final do livro me senti um tanto decepcionada, pois esperava mais do mistério que envolvia Adapak.

Enfim, em geral o livro tinha um grande potencial para ser muito mais do que foi, mas creio que Solano está no caminho certo. Por fim, classifico o livro como bom. Afinal, não há como negar que é uma boa pedida para os fãs de fantasia e de uma boa aventura, cheia de ação e boas cenas de luta.