Livro cedido pela editora para resenha
ISBN: 978-85-8041-389-2
Tradução: Cláudio Carina
Ano: 2015
Páginas: 368
Editora: Arqueiro
Classificação: ♥♥♥ 
"Este documento, querida amiga, vai abalar a Igreja". Ao ler essas palavras em uma carta encontrada em um arquivo empoeirado, Thomas Kelly fica cético. O documento citado na correspondência está desaparecido, mas Thomas, padre da ordem dos jesuítas, duvida que exista algo com tal poder – até ser convocado ao Vaticano para iniciar uma busca desesperada por ele. Enquanto isso, diante de um conselho formado por seus superiores, Livia Pietro recebe instruções claras: encontrar um padre jesuíta recém-chegado a Roma e juntar-se a ele na procura da Concordata, um tratado que contém um segredo tão chocante que poderá destruir para sempre todo o povo de Livia. Enquanto pistas cifradas do passado lançam os dois em um universo traiçoeiro repleto de obras de arte, maquinações religiosas e conspirações, eles são caçados por pessoas capazes de tudo para achar o documento primeiro. Thomas e Livia, então, precisam correr para montar o quebra-cabeça capaz de redefinir os rumos da história e evitar o caos e a destruição que a revelação da Concordata poderá causar. Livia, porém, tem um segredo: ela e seu povo são vampiros. Com uma narrativa que remete ao estilo de Dan Brown e ao terror sobrenatural de Anne Rice, O sangue do cordeiro é uma viagem inesquecível a um passado inimaginável.

Sam Cabot é o pseudônimo de Carlos Dews, professor do Departamento de Língua e Literatura na Universidade de John Cabot, em Roma; e S.J. Rozan, autora de vários romances de contos policiais, ganhadora de prêmios internacionais como o cobiçado Edgar Allan Poe.

O Sangue do Cordeiro é o primeiro livro da série A Novel of Secrets, seguido por Skin of Wolf, o segundo volume com o padre Thomas Kelly e a historiadora Lívia Pietro. O segundo volume da série, conforme as pontuações de votos dos leitores no Goodheades.com, teve uma melhor aceitação de público ao atingir 4 estrelas como pontuação máxima contra 3 estrelas desse primeiro volume. O que denota que Sam Cabot refinou melhor a sua escrita e a elevou a um novo patamar, apresentando uma história com novos personagens, novas localidades, mistérios mais envolventes e licantropia.

Em O Sangue do Cordeiro, o grande mérito de Sam Cabot foi introduzir elementos sobrenaturais numa trama que se escora no estilo Dan Brown de conspirações envolvendo a Igreja Católica e seus segredos ocultos à sete chaves nos porões da Biblioteca do Vaticano. A introdução dos "noantris" - os outros – como uma sociedade paralela convivendo secretamente com os "inalterados", ou gli altri – nós mortais, foi uma adição muito bem-vinda. E quanto ao terror, ou ao sobrenatural melhor dizendo, apesar de algumas poucas semelhanças, Sam Cabot só conseguiu arranhar a superfície do terror gótico e asfixiante criado por Anne Rice.

O demérito do autor, se assim posso dizer, foi ter-se apegado as pegadas tortuosas do "estilo Dan Brown". Quem sabe se tivesse se dedicado a criar um thriller original focado exclusivamente no terror, mais ao estilo Anne Rice, deixando a onipresente Igreja de lado, Sam Cabot teria sido melhor sucedido. Provavelmente em Skin of Wolf, ainda inédito no Brasil, nós tenhamos uma inovação mais profunda e de forma mais conclusiva que nesse primeiro livro da série que ficou um tanto a desejar.

Apesar disso, O Sangue do Cordeiro é um bom livro, com bons personagens e uma trama interessante envolvendo um misterioso documento chamado Concordata, o qual foi roubado dos porões da Biblioteca do Vaticano por um poeta da Era Vitoriana chamado Mario Damiani. Esse documento, altamente secreto e de conhecimento de uma elite muito privilegiada dentro do Vaticano, foi escondido em um lugar igualmente secreto pelo próprio poeta que, para dificultar a sua localização, espalhou uma série de poemas que versam sobre as igrejas de Roma. Essas pistas, por assim dizer, quando lidas arremetem a novos poemas em escondido em cada igreja e, quando decifrados corretamente, formam uma charada que conduz o pesquisador ao Concordata. Mas se procurar essas pistas parece complicado, imagine ter a Igreja e a sociedade dos noantris bufando no seu cangote. E é justamente por isso que passa o padre e historiador Thomas Kelly quando recebe de seu superior a incumbência de encontrar o dito documento roubado.

Thomas Kelly luta com forças muito mais antagônicas quando sua fé, suas crenças sacerdotais e pessoais, são postas à prova. De repente, envolvido numa caçada misteriosa por um documento misterioso, tendo a noantris Lívia Pietro como aliada, ele se vê balança numa corda entre a insanidade mental e os horrores que a Concordata pode suscitar se cair em mãos erradas.

Dentro desse enfoque, a narrativa de Sam Cobat é concisa, bem detalhada, com boa historicidade. Se perde um pouco na tentativa de criar um thriller de conspiração e não de sustentar um mistério sobrenatural. Pois, apesar do contexto sobrenatural que os noantris evocam, não há no livro nenhum feito sobrenatural extraordinário que empolgue. No fim, a narrativa pende mais para Don Brawn e suas especulações sobre os mistérios ocultos da Igreja do que pelo terror sobrenatural forjado com tinta gótica de Anne Rice.

Thomas Kelly e Lívia Pietro correm de um lado para o outro, de igreja em igreja, coletando poemas, e tudo parece mais do mesmo, sem nenhuma originalidade, sem nada de inovador. O livro também carece de um vilão impactante, que por muitas vezes roube a cena dos protagonistas. Os que se propõem ao cargo não fazem jus ao título, e em dado momento eu achei que seriam os noantris que fariam essa grande diferença.

O Sangue do Cordeiro não me encantou. Não é um livro ruim, mas ficou bem abaixo das minhas expectativas. Não é o primeiro livro seriado que leio em que os autores se esforçam no primeiro volume mas só acertam para valer no segundo. A meu ver, o mesmo se dá com os dois primeiros volumes da série A Novel of Secrets. Pois, pelas boas pontuações que apurei e pela sinopse interessante do segundo livro, creio que não estou enganada nesta intuição. Aliás, aguardo ansiosamente para ler Skin of Wolfs e tirar a prova. Apesar deste primeiro livro enveredar mais pelo estilo Dan Brown, relegando o sobrenatural para um segundo plano, eu ainda recomendo O Sangue do Cordeiro como uma leitura interessante.