A Livraria 24 horas do Mr. Penumbra
Robin Sloan
ISBN: 9788581632483
Tradutor: Edmundo Barreiros
Ano: 2013
Páginas: 288
Editora: Novo Conceito
Pontuação:  ♥ ♥ ♥  ♥ 
A recessão econômica obriga Clay Jannon, um web-designer desempregado, a aceitar trabalho em uma livraria 24 horas. A livraria do Mr. Penumbra — um homenzinho estranho com cara de gnomo. Tão singular quanto seu proprietário é a livraria onde só um pequeno grupo de clientes aparece. E sempre que aparece é para se enfurnar, junto do proprietário, nos cantos mais obscuros da loja, e apreciar um misterioso conjunto de livros a que Clay Jannon foi proibido de ler. Mas Jannon é curioso…
Em primeiro lugar tenho que dizer que adorei a capa do livro. Comparada com as capas lá fora... Urgh! Esta versão da Novo Conceito ficou maravilhosa. Esse toque neon no “24 horas do...”, como um reflexo na vitrine da livraria, ficou muito bacana. E bacana também é o livro. Aliás, apaixonante. 

Até o presente momento, A Livraria 24 horas do Mr. Penumbra é o livro mais original e viciante que li em 2013. O livro trás uma história divertida e deliciosa de ler. Também é uma boa pedida para quem quer colocar o hábito da leitura em dia. O livro possui texto bem diagramado, com um layout que facilita a leitura dinâmica. Sem contar que a escrita de Robin Sloan nos cativa logo no prólogo: “Procura-se um atendente.” Também poderia ser: “Procura-se um leitor que seja apaixonado por livros.”

E sobre livros, mas não somente de livros, é do que se trata este livro. É sobre livros, porque se trata de uma livraria, afinal de contas. Livros antigos e misteriosos, diga-se de passagem, já que a Livraria do Mr. Penumbra não é uma livraria comum. Nela há uma aura de mistério e misticismo entremeados naqueles livros seculares. Estantes que se estendem do chão ao teto por três andares de altura. Lá no alto, a escuridão junto ao teto não nos permite ver as últimas prateleiras de livros que, enigmaticamente, parecem se estender ao infinito.

Mas, também, A Livraria 24 horas do Mr. Penumbra aborda temas bem atuais, de um mundo cada vez mais globalizado. As tecnologias mais comuns e modernas estão presentes no livro, bem como as mídias das redes sociais: Google, Twitter, Facebook, banda larga, wi-fi, downloads/uploads, e-mails, interatividade virtual, supercomputadores, programação, web designer, Photoshop, MP3, digitalização de documentos, celulares, lojas online, entre muitas outras coisas que, nos últimos 30 anos, passaram a fazer parte integral e indispensável do nosso cotidiano. Tanto ou mais, talvez, quanto o rádio, a televisão, o fax, a máquina de lavar roupas, o forno de micro-ondas e o telefone, eram considerados o que havia de mais moderno e indispensáveis há 40 ou 30 anos atrás. Está tudo lá, no livro, tão necessários ao contexto da narrativa quanto o são para todos nós, cada qual à sua maneira.

Entre o velho e o novo, Robin Sloan tece a sua trama de forma irreverente e despojada, muito agradável, apresentando-nos personagens apaixonantes e  carismáticos: Clay Jannon, Penumbra, Ashley e Mat, Kat Potente, Neel, Miss Lapin, Maurice Tyndall, Oliver Grone, o misterioso e sombrio Corvina, Edgar Deckle, o escritor de livros de fantasia Clark Moffat e o não menos enigmático Aldus Manutius por tás da Festina Lente Co...

Fantasia, magia, aventura, romantismo, ficção, tecnologia de ponta, boa literatura, referências aos ícones da mídia e do mundo dos livros; decorada com figuras de enredo que apontam para os jogos de RPG,  filmes noir de suspense e códigos misteriosos que precisam ser decifrados.

Clay Jannon é um cara comum, e poderia ser aquele amigo que você conheceu na faculdade, ou que mora no apartamento ao lado, ou, ainda, que você encontra no ônibus todos os dias ao ir para o trabalho. Assim como você ou eu, ele tem um fascínio bastante peculiar por tecnologia de massa e literatura (bom, quem hoje em dia não o tem?). Ainda, adora filmes, jogos de RPG e curte os amigos. É um cara simpático e pró-ativo. Ao se empregar como atendente numa livraria de livros antigos, trabalhando no turno da meia-noite, Clay passa a conhecer clientes esquisitos e misteriosos (tanto quanto o dono da livraria) e se aprofunda num mistério que a cada noite toma conta da sua vida. Isto o fará questionar a própria essência da livraria e a razão dele próprio ter vindo trabalhar ali. Quanto mais Clay se questiona e busca respostas para suas dúvidas, mais os enigmas se acumulam, tornando o mistério entre àquelas prateleiras uma aventura tão sagrada e necessária quanto a busca pelo Santo Graal.

Como num game de RPG, Clay empreende uma busca pela verdade por trás da Livraria 24 horas do Mr. Penumbra, e o que ele encontra mudará para sempre o modo como ele (ou nós) pensa e vê o mundo à sua volta.

A Livraria 24 horas do Mr. Penumbra é um romance de ficção feito para a sua diversão. Independentemente da paixão que você nutre pelo seu celular, seu laptop, seu tablet, sua conexão de banda larga, suas redes sociais, Robin Sloan nos convida a desfrutar da mais antiga paixão da busca pelo conhecimento humano: a leitura. De forma definitiva, o autor prova que ler ainda continua sendo embarcar no imaginário e conhecer o mundo, senão o próprio universo. Deleite da alma, sem dúvida alguma! E por mais que a tecnologia nos enfeiticem com suas inovações e seus gadgets, os livros impressos ainda exercem sobre nós um fascínio que nenhum chip em todo o mundo será capaz de obliterar.

Por isso leiam. Leiam muito, e sempre. Leiam A Livraria 24 horas do Mr. Penumbra e se apaixonem também pelo prazer que os livros nos dão a cada nova leitura. Leiam, meus amigos, porque o conhecimento é tudo o que somos, o que temos de nosso e o que desta vida podemos levar!

Eu adorei esse livro e o recomendo, para todos!