Psicose
Robert Bloch
ISBN: 9788566636154
Tradutor: Anabela Paiva
Ano: 2013
Páginas: 240
Editora: DarkSide®
Pontuação: ♥ ♥ ♥  
Livro que deu origem ao mais famoso filme de suspense de todos os tempos. Psicose conta a história de Mary Crane, que foge após roubar o dinheiro que foi confiado a ela depositar num banco. Ela então vai parar no Bates Motel, cujo proprietário é Norman Bates, um homem atormentado por sua mãe controladora. Belo suspense, de tirar o fôlego!

Psicose é um quadro psicopatológico clássico, onde a pessoa sofre de um estado psíquico no qual perde a noção do real. Podem ocorrer alucinações ou delírios, desorganização psíquica que inclua pensamento desorganizado e/ou paranoide, acentuada inquietude psicomotora, sensações de angústia intensa e opressão, e insônia severa.

Independentemente dos termos técnicos e médicos, a Psicose é assustadora. A mente humana é incrível e imprevisível, e pode se tornar muito perigosa. Quando sua mente torna-se sua maior inimiga, e você perde a noção do que é real e do que é certo, pode-se cometer loucuras. É o caso de Edward Theodore Gein, um psicopata que causou uma grande comoção e terror na década de 50Robert Bloch se inspirou nesta figura psicopata para criar seu livro: Psicose. Ed Gein ficou "famoso" pela sua mente doentia, principalmente pelo fato de terem descoberto que ele exumava cadáveres de cemitérios locais e fazia troféus e lembranças com eles. Ed Gein (mencionado no livro de Bloch) foi um homicida culpado pela morte de duas pessoas, além de arrombamento de caixões. Além disso, era suspeito no desaparecimento de mais cinco pessoas. Foram encontrados em sua casa crânios humanos empilhados sobre um dos cantos da cama; pele transformada num abajur e usada para estofar assentos de cadeiras; peitos usados como seguradores de copos; Crânios usados como tigelas de sopa; etc.

Enfim, dá para imaginar o horror? Robert Bloch se baseou em todo este horror para criar a mente doentia e psicótica de Norman Bates, o protagonista deste clássico do terror e suspense, o livro Psicose. Você provavelmente já ouviu falar desta história. Sim, ela foi imortalizada no cinema por Alfred Hitchcock. A famosa "cena do chuveiro", onde Mary Crane é assassinada a facadas por uma senhora louca e ensandecida, virou uma das cenas mais famosas e adoradas dos amantes de cinema e de filmes do gênero. Assim que leu o livro de Bloch, o cineasta Alfred Hitchcock se viu fisgado. Ele simplesmente precisava ver aquela história virar um filme: seu filme! A Paramount desaprovou a produção, por achar a história um tanto excêntrica, mas Hitchcock decidiu se aventurar e arriscar sua sorte: iria em frente com a produção. Comprou todas as 3 mil edições do livro, para que ninguém tivesse acesso ao final da trama e assim, se tornasse uma surpresa o final de seu filme. Além disso, arcaria com todas as despesas necessárias para que o filme se tornasse realidade. Tenho que concordar que Hitchcock enxergou muito além e foi visionário. O filme de 1960, estrelado por Janet Leigh, Anthony Perkins, Vera Miles, John Gavin, entre outros, foi um enorme sucesso. Hoje um clássico! Mas vamos deixar claro uma coisa: tudo começou com Bloch. Não fosse sua história, incrível e inovadora demais para a época, o filme não existiria. A verdadeira mente por trás foi a de um autor norte-americano de fantasia, terror e suspense.

E agora, depois de 50 anos fora de circulação no Brasil, este clássico ganhou uma edição caprichada pela editora DarkSide®. Podemos conferir duas versões: uma com capa dura e outra em brochura, as duas igualmente lindas, com uma diagramação impecável. Uma obra para ler e guardar.

Com tudo isto, e depois de assistir ao filme (e regravação), podemos nos perguntar: por que a história de Robert Bloch virou esta enorme obsessão para Hitchcock e o fisgou? E eu lhe respondo: por favor, leia e entenderá! E eu digo isto com toda certeza; se você é fã do gênero, do filme ou estava há muito tempo esperando para poder conferir o famoso livro que deu origem ao filme... não perca tempo!

Para os padrões atuais talvez você torça o nariz para este livro. E claro, se formos comparar com os livros de suspense/ terror que vemos atualmente, cheio de tramas elaboradas e reviravoltas cabeludas, Psicose tem uma história simples. Mas, para os padrões da época, era uma história incrível, inovadora e terrível. Mas eu te digo mais: o que assusta não são as mortes ou o sangue. Longe disto, o verdadeiro terror está na mente fria e doentia que causa isto, e Bloch a descreve com maestria.

Sua história narra alternadamente os fatos que envolvem Mary Crane e o psicótico Norman Bates. Mary foge com 40 mil dólares, confiados a ela pelo seu chefe, e que deveria depositar no banco. Acaba pegando uma antiga estrada na rodovia, e chega ao Bates Motel. Como chovia muito e ela estava cansada resolve ficar por ali mesmo e se hospedar. Ao conhecer o dono do motel, Norman, mal sabia ela que suas horas estavam contadas. Estranhando o desaparecimento da irmã, Lila Crane procura o namorado da mesma, Sam Loomis. Ambos acabam se aprofundando no caso e fazendo terríveis descobertas sobre tudo o que aconteceu.

Eu fiquei fascinada com a história. Tudo bem que não foi novidade nenhuma para mim, que já a conhecia através do filme (que foi bem fiel, em certa medida, ao livro). Mas poder ler, conferir a narrativa de Bloch foi uma experiência incrível. Com apenas uma trama simples, o autor conseguiu passar direitinho o que queria e criou uma mente doentia perfeita.

Me vi quase louca com a psicose de Norman Bates. Oprimido pela Mãe dominadora, Bates acaba se revelando um homem doentio e perverso. E achei interessantíssimo e muito criativo o modo como Bloch desenvolveu este personagem e sua psicose. Com uma terrível verdade que se esconde e só se revela ao final. E o mais "fascinante" é ver como a mente humana é cheia de surpresas; e como as pessoas podem fazer julgamentos errôneos, confiando ou acreditando, ou até mesmo não vendo o que está bem diante de seus olhos... ou bem no fundo da mente. Incrível como funciona! Ou melhor, incrível como, apesar de toda a medicina e psicologia, jamais entenderemos por completo como funciona esta máquina, que é a mente humana.
Quando você começa a especular desse jeito, uma vez que reconhece que ninguém sabe como funciona a mente de outra pessoa, você tem de admitir: tudo era possível. pág. 115
Enfim, eu gostei muito de conferir a história original, pela narrativa habilidosa de Robert Bloch. A mente perturbada e doentia de Norman Bates e seu hotel decadente têm um impacto enorme sobre quem lê. Entrando totalmente na mente deste homem, você entende melhor os traumas, loucuras e crueldades que maquina e pensa, de uma forma que nenhum filme poderia nos mostrar. Me desculpe, mas tenho algo a declarar: sim, eu prefiro o livro! Psicose é uma leitura indispensável.

E para encerrar, confira a famosa "cena do banheiro" de Alfred Hitchcock: