O Código Élfico
Leonel Caldela
ISBN: 9788577343423
Ano: 2013
Páginas: 576
Editora: Fantasy
Pontuação: ♥ ♥ ♥  
A pequena cidade de Santo Ossário esconde muitos segredos. Entre os habitantes, Nicole, uma jovem corajosa, descobre estar ligada aos mistérios da cidade, o que a leva a uma investigação sobre o próprio passado. Seu pai foi um famoso assassino que pertencia à ordem de seguidores de uma deusa oculta, sacrificando inocentes em rituais. Em Arcádia, um mundo paralelo governado pela deusa, vivem os elfos. Criaturas perfeitas que há milênios sonham em recuperar o poder sobre os humanos. Finalmente veem a esperança no novo guerreiro Astarte, treinado em arquearia, que deve abrir o portal que liga os dois mundos e exercer o domínio da Rainha sobre a Terra. Astarte, no entanto, é o único que desconhece o seu destino, até o momento de cumprir com a sua sina. Avesso aos interesses do seu povo, o elfo resolve juntar-se aos mortais em Santo Ossário. Agora, Nicole e Astarte estão ligados a um mesmo propósito: reunir os habitantes da pacata cidade e derrotar os seres místicos que ameaçam dominar o mundo.

A Editora Fantasy prima pela ótima qualidade editorial e gráfica dos seus livros. Todos os livros que li possuem uma apresentação gráfica de primeiríssima qualidade. Com O Código Élfico não poderia ser diferente. Logo, a primeira impressão que temos do livro é a capa, muito bem elaborada. Depois, a diagramação, que está muito caprichada. Um excelente trabalho técnico, diga-se de passagem.

Falando do livro em si, O Código Élfico de Leonel Caldela me trouxe uma série de emoções e sensações conflitantes. Inicialmente, achei o prólogo confuso e destoante. Mas, a medida em que enveredei pelo universo mítico, mágico e onírico criado por Caldela, fui absorvendo as suas ideias e desvendando a sua narrativa para compreender melhor o que se passa com Nicole e Astarte. 

O livro tem personagens interessantes, como o terrível assassino Emmanuel Montague; Trevor Abassian, o matemático; o elfo Rhaewood; Titânia, a Rainha da Beleza; o ruivo Félix e, é claro, Nicole Manzini e o Astarte; porém, infelizmente, não consegui me simpatizar por nenhum deles.

A narrativa é em terceira pessoa e se passa numa cidade fictícia chamada Santo Ossário, em algum lugar geográfico do Brasil. Uma cidade misteriosa tanto quanto são os cidadãos que a compõem, bem como as suas origens que remontam aos missionários Jesuítas. Uma espécie de Gotham City ou Metrópolis, das histórias em quadrinho de Batman e Superman. Ou algo do gênero. Nos deparamos, ainda, com diálogos bem estruturados e ação constante, bem no estilo dos animes e jogos de RPG.

A história em si se passa em dois tempos, ou paralelos, entre o elfo Astarte e a jovem Nicole, que, em dado momento, acabam se conectando num só, mesclando fantasia no estilo Tolkein com um outro mais moderno, do tipo Pulp Fiction. Fusão essa que, a princípio, demorei para me acostumar, mas que no decorrer da leitura acabei por me se habituar. Isso porque estou acostumada a ver elfos em histórias épicas, de fantasia clássica, longe de carros, metralhadoras e helicópteros. A trama é bem complexa e estruturada com muito mistério, magia, misticismo e fantasia, com enredo em estilo cinematográfico. O que torna os clichês inevitáveis, obviamente. Tanto nas cenas e ação quanto nos diálogos. O que, de certa forma, pode desagradar alguns leitores mais exigentes.

O Código Élfico é uma obra interessante e instigante, que nos convida a conhecer a outra face do universo dos elfos que sempre nos foi apresentada como benigna. Caldela prova que os elfos podem ser tão maus quanto os piores pesadelos. Ao fim, não terminei o livro totalmente satisfeita; e quanto a fusão de dois mundos contrários, particularmente, não gostei. Acho que isso quebra um pouco o encanto e a magia que cultivei ao longo de tantas outras leituras no estilo mais clássico de Dungeon and Dragons.

De modo geral, vale sua leitura despretensiosa, pelo esforço criativo do autor em compor um universo original e à parte dos clássicos de fantasia.