A Seleção 
Kiera Cass
ISBN: 9788565765015
Tradutor: Cristian Clemente
Capista: Sarah Hoy
Páginas: 368
Lançamento: 19/09/2012
Editora: Seguinte
Pontuação: ♥ ♥ ♥  
Para trinta e cinco garotas, a Seleção é a chance de uma vida. É a oportunidade de ser alçada a um mundo de vestidos deslumbrantes e joias valiosas. De morar em um palácio, conquistar o coração do belo príncipe Maxon e um dia ser a rainha. Para America Singer, no entanto, estar entre as Selecionadas é um pesadelo. Significa deixar para trás o rapaz que ama. Abandonar sua família e seu lar para entrar em uma disputa ferrenha por uma coroa que ela não quer. E viver em um palácio sob a ameaça constante de ataques rebeldes. Então America conhece pessoalmente o príncipe - e percebe que a vida com que sempre sonhou talvez não seja nada comparada ao futuro que nunca tinha ousado imaginar 

Este é o primeiro livro da uma trilogia (pelo menos inicialmente) denominada A Seleção, de Kiera Cass. Trinta e cinco garotas e uma coroa, esta é a frase de capa do livro e nos chama atenção para a premissa do mesmo.

Kiera Cass criou uma distopia bem diferente das tantas outras que já tive a oportunidade de ler. Além do foco ser o romance e drama pessoal de cada personagem, o governo não se mostra opressor como em diversas outras tramas que podemos conferir, como em Jogos Vorazes, por exemplo. Aliás, aqui faço uma comparação com a outra trilogia tão querida dos fãs que acabei de citar, afinal como não deixar de pensar que há alguma semelhança (um pouco menos sangrenta)? Assim como em Jogos Vorazes, um povo dividido em "categorias" e participando de uma competição no estilo reality show. Mas as semelhanças param por aí.

Nesta distopia, vemos um mundo onde, em algum lugar do futuro, onde o Estados Unidos foi substituído pelo Estado Americano da China, e com muita luta se tornou a agora conhecida Illéa. Este país, monárquico, é dividido em oito castas, sendo que a Oito a mais miserável, e assim por diante, até chegar na casta Um, a casta da realeza. America Singer pertence à casta Cinco, onde todos tem como profissão a arte (seja música, pintura ou outros), e vive uma vida cheia de restrições e dificuldades. Ela vive um romance escondido com o jovem Aspen, pertencente à casta Seis, socialmente abaixo da casta de America, o que torna o amor dos dois além de difícil, muito sofrido. Afinal, Aspen se vê em dificuldade, passando fome e tendo que sustentar sua mãe e irmãos. Eles pretendiam se casar, formar uma família e ser felizes, apesar de toda a burocracia que é se casar com uma pessoa de casta diferente. São papeladas e documentos demais, e meses de espera!Apesar da compreensão de America, o rapaz se vê atormentado pela piedade e compaixão dela, e não é o que ele quer. Ambos se amam, mas ele quer a proteger e a mimá-la, não o contrário. E termina seu namoro de dois anos com a garota. Seus motivos são claros: ele quer que ela seja feliz, e sabe que não pode fazer isso nas condições em que se encontra. Seria mais uma pessoa para passar fome junto com ele e sua família, da qual ele é totalmente responsável. America fica de coração partido.

Depois de muita pressão da mãe e do pedido de Aspen para que participasse da Seleção, onde garotas de todo o país concorrem a uma chance de serem selecionadas para participar da competição que escolherá a futura princesa e esposa do príncipe MaxonAmerica decide ceder e tentar a sorte. Mas bem no fundo sabe que não será escolhida, pelo menos é o que a garota espera. Só que, para seu azar (ou sorte), seu nome aparece entre os das 35 garotas selecionadas para o grande reality show
Deixando tudo para trás, tanto sua família quanto seu grande amor, America vê a oportunidade de fugir e tentar esquecer sua desilusão amorosa, e ajudar sua família que será muito bem beneficiada pelo fato de ela ser uma das participantes selecionadas. A partir de então sua vida muda completamente, ainda mais depois de conhecer o tão famoso e cobiçado príncipe.

Muito bem! Há uma grande quantidade de gente que se divide entre Team Aspen e Team Maxon. Eu posso dizer que eu ainda estou em cima do muro e não me decidi para qual lado eu vou. Tanto Aspen quanto Maxon tem suas qualidades e seus defeitos. Mas principalmente defeitos. Não os vejo como caras totalmente maravilhosos, mas confesso que é realmente uma tarefa difícil a qual America tem que passar! Se decidir entre o grande e primeiro amor de sua vida, ou dar uma chance para o príncipe que parece cada vez mais apaixonado.

Aspen pisou na bola, e pisou feio! Mas não considero totalmente desprezível suas atitudes, afinal o rapaz pensou no bem-estar de America e em sua felicidade acima da sua. Apesar de arrasar a moça, ele pensou nela em primeiro lugar, deixando de lado seus próprios sentimentos. Aspen é um personagem que eu adorei... mas fiquei com um tantinho de raiva, apesar de compreender suas intenções.

Maxon é o cara que toda mãe pede à Deus ter como genro, e toda mulher deseja encontrar. Eu gostei muito de sua personalidade. Ele é sempre gentil, bondoso, divertido, e se mostra um ótimo amigo. Logo a ligação entre America e Maxon cresce e se torna um algo à mais. É a moça que abre os olhos dele para os problemas sociais dos quais ele nem ao menos sabia existir, e também é ela que faz o coração dele acelerar. Mas a disputa não é fácil...e mesmo assim ela ainda tem que enfrentar as outras garotas. E não só isso, mas tem que enfrentar seu passado, e tentar esquecer Aspen. O que não é nada fácil.
Me vi em diversos momentos um tanto irritado com o príncipe, pois é realmente irritante ver suas atitudes com determinadas selecionadas, e também sua falta de tato para algumas coisas.

Enfim. Apesar de gostar de um e de outro, ainda não me decidi qual lado escolher! Porque cada um mostra de formas diferentes seu valor, e da mesma forma, mostra seus defeitos. Em algum ponto cada um conseguiu me irritar de alguma maneira, e em outros conseguiram me conquistar. Não queria ser America neste momento! (risos) Mas digamos que até agora sou Team Maxon, pois adoro o romance que está se desenvolvente entre ele e America. Estou torcendo por ele pois acho que podem fazer muita coisa juntos, tanto pelo povo quando pela política falha do país, além de que se dão muito bem e tem uma química natural.

A distopia de Kiera também tem um forte teor político, apesar de não ter tanto foco neste primeiro livro. Vemos diversos ataques de rebeldes ao castelo, mas ainda não sabemos seus motivos e o que eles procuram. Também vemos fortes críticas sociais, de diferenças de cultura e de classes. Tantos passando necessidade e fome, enquanto poucos tem tanto dinheiro e condições. E não é assim a nossa realidade também!? Talvez Kiera tenha usado não só de ficção, mas um tanto do poder de suas palavras para poder mostrar sua opinião sobre o assunto.

Acima de tudo, gostei de America. Há muito tempo não me identificava tanto com uma personagem principal. Ela mostra força, determinação, teimosia, lealdade e humildade sem igual. Eu fiquei simplesmente encantada com ela. Além disso, gostei do modo como ela mesma se vê e admite seus próprios defeitos, mesmo sendo uma moça linda, ela sabe que está longe de ser perfeita:
[...] Por acaso eu era a única pessoa a ver meus defeitos? Não era refinada. Não sabia ser mandona nem superorganizada. Na verdade eu era egoísta e geniosa, e não gostava de aparecer na frente dos outros. Não era corajosa, e esse emprego exigia coragem. Sim, emprego: não se tratava só de um casamento, mas de um cargo.

Com ótimos personagens, uma boa trama e um certo suspense e muito romance, Kiera Cass conseguiu construir uma ótima distopia. Com narrativa deliciosa, o livro se tornou muito fácil e gostoso de ler, e sua trama envolvente prende do início ao fim. O romance tem sua medida certa, assim como o suspense sobre os interesses do reino e dos rebeldes. Um livro cheio de sentimentos, de descobertas, de despedidas e de lições.

Uma distopia original, diferente e muito boa! Recomendo!